Um Homem

Um texto profundo se torna necessário quando se percebe que aquilo que se pretendia dizer não foi dito, e isso geralmente só se torna claro depois que várias palavras já foram desperdiçadas. Inicialmente lidas, depois revisadas, daí então, depois de revisá-las novamente, percebe-se que ainda não se viu ou se ouviu, ou sequer foi vislumbrando de longe - ainda que embaçadamente - aquilo que a princípio é o que se desejava expor.

Havia um homem que, aturdido quanto ao que estava sentindo, se percebeu na necessidade de escrever algo, um texto profundo preferencialmente. Algo que d'alguma forma fosse capaz de expôr perfeitamente, a qualquer um que viesse a ter a disposição de lêr, aquilo que tanto lhe afligia, o sentimento desagradável que já estava por lhe inquietar há certas semanas.

Estava lá ele, em sua casa, zanzando por ela inquietantemente. Logo mais à sua frente havia uma espécie de algo rústico, um móvel feito de madeira nodosa e pouco trabalhada, algo muito similar à uma escrivaninha dos dias de hoje; e sobre ela havia papel, tinta e pena.

A inquietação desse mesmo homem já estava o dominando por completo ao ponto de que não dormia já havia algumas horas, umas quantas horas por sinal, mas ainda assim o cansaço não era sua maior preocupação, tampouco era o que de fato o incomodava. O que realmente estava lhe aturdindo a alma era tão somente o fato de que algo que estava em sua mente, castigando-o - pensava consigo -, não conseguia ser transferido, transportado pelo seu corpo, saindo de sua mente, passando através do braço e aí então encontrando a mão com a pena sobre o papel. O sentimento estava devorando-o, destruindo-o e o único remédio que ele via ser realmente capaz de lhe curar seria ver a tinta caligrafada num papel, a manuscrição de uma coisa qualquer que fosse capaz de explicar, mesmo que de modo rasteiro, aquilo que há dias atrás começou a lhe alfinetar a alma.

A rotina era como que uma espécie de protetor ao nosso solitário personagem, que embora habitasse a casa mais afastada duma vila que por si só já era bastante afastada de qualquer região mais populosa, por assim dizer; ainda que a solidão fosse algo concreto e tangível na vida do nosso agente, ela nunca foi um problema de fato, nunca chegou a ser algo que fosse capaz de o afligir verdadeiramente. Muito pelo contrário até, ele se congratulava por ser um homem só, sendo que dessa forma ele se percebia diferente, especial, alguém que em contramão ao consenso geral buscava o conhecimento, via o mundo com um olhar mais aguçado e não perdia o seu tempo com as futilidades que uma vida mais sociável pressupõe.

Andava geralmente bastante ocupado com planos particulares, planos de estudo, uma busca compenetrada e profunda, embora bastante cega, à procura de conhecimento, de razão, respostas às perguntas que vêm destruindo as mentes mais ávidas que já pertenceram a este mundo. Vivia ele assim, compenetrado consigo mesmo, produtivo, hábil naquilo que se dispunha a estudar e praticar. Um homem realmente admirável quanto à sua capacidade pessoal, bem como quanto à sua própria visão das coisas, muito profunda por sinal, mesmo se tratando das coisas mais rasas da vida. Era alguém com o qual se era muito proveitoso prosear, dialogar, discutir que seja, por pelo menos uma vez que fosse.

Só que recentemente, e é nisso que inicia a problemática, algo novo o atingiu de cheio e fez com que toda a estrutura de seu escudo - sua rotina - se abalasse por inteiro. Acontece que a rotina desse homem era, como já citado acima, aquilo que o resguardava e o protegia, era o seu guia. Ele sentia conforto diante da margem de previsibilidade existente numa vida relativamente rotineira. A confiabilidade dos fatos atuais, bem como a previsibilidade dos futuros era algo que o tranquilizava de certa forma e permitia que as tarefas às quais ele se aplicava fossem postas em prática. Assim, a cada dia ele prosseguia, progredindo.

Pois que lá estava ele hoje, em pé, aflito e irritado porque pela primeira vez sentia o revés do que antes lhe servia de conforto. Naturalmente que ele, como inteligente o bastante que era, tinha muita ciência de que era uma homem só, percebia o quanto sua vida tinha se tornado reclusa nos últimos meses e o quanto suas conversas e saídas dimuiram consideravelmente, saídas essas que sempre foram pouco frequentes. Mas ultimamente, essa mesma solidão começou a doer, e era uma dor que não se podia suportar.

Posto que diante disso - da insuportabilidade da sua tristeza - ele começou a escrever. Fez um relato um tanto quanto longo e detalhado a respeito do seu atual estado de espírito, descrevendo com pormenoridades as sutilezas de sua tristeza e ao mesmo tempo o seu paradoxal contentamento em conseguir descrevê-la, em conseguir escrever.

Dentre muito do que escreveu em todo o seu texto pouco sobrou, pouco conseguiu resistir ao efeito da deterioração que o tempo carrega consigo. Mas do pouco que ficou têm-se:

"O que mais atormenta um homem que possui um gênero de personalidade que se a assemelhe ao meu é tão somente o fato de que, na percepção da própria solidão e na análise minuciosa da própria vida, nota-se que a solidão é uma simples consequência de uma personalidade muito singular e pouco compatível com o estereótipo comum, no que se diz sobre preferências e opiniões. Isso por si só não é entristecedor, posto que a história tem mostrado o poder que a ignorância possui nas multidões e no consenso geral. A multidão é burra e eu me orgulho de andar distante dela.

O que hoje me faz sangrar a alma é o simples fato de que não há um, ainda não pude enxergar um sequer que - estando fora da multidão - pudesse fazer par comigo e me fazer companhia, e paralelamente a isso regozijar uma pessoa como eu que, não diferente da multidão, também é humano e inerentemente um ser sociável. O que me faz chegar à simples conclusão de que não estou triste porque sou um arrogante, posto que de fato sou, também não estou triste porque esses anos todos não houve um momento sequer em que alguém congratulou comigo os meus feitos e sucessos, não, de fato não.

Estou triste porque eu sou um homem."

O texto foi escrito, cansado ele adormeceu. Ao acordar, no outro dia, retomou sua rotina, ao ver o texto sobre a escrivaninha o pegou e releu, deu um sorriso e o guardou com os tantos outros que haviam dentro duma gaveta qualquer, dessas que todo móvel do gênero de uma escrivaninha possui. Prosseguiu com sua rotina, retomou sua vida e com o passar dos anos veio a morrer, como todo homem.

A verdade é que depois desse dia, a tristeza foi algo que nunca o abandonou de fato. Esteve sempre ali, alojada, resguardada e aquecida no lugar reservado somente aos melhores amigos.

O Idiota

Estou contente, tão somente isso é suficiente como introdução ao texto que há de seguir, uma introdução breve, simples. O necessário pra resumir muitas coisas, coisas essas que na verdade são um compêndio d'outras, que - essas - por sua vez, foram tão somente geradas porque algumas outras - aparentemente - por coincidência manifestaram o desejo de se unir, se é que coisas tem algum desejo sequer. E dessa forma o conjunto ideal pra esse momento foi formado, composto. E eis que aqui estou, contente.

Estou lendo Dostoiévsky, mais precisamente O Idiota, e isso já há quase um mês. Diferente d'alguns amigos meus, eu - embora me considere um assíduo leitor, bem como amante da leitura - não sou um leitor compulsivo. Não me comporto mais como na minha infância, em que eu lia um livro em um, dois dias.

Esse livro, um tanto quanto extenso (atingindo o escopo de seiscentas páginas) tem me intrigado sobremaneira, e eu confesso também que tem me irritado um pouco até. Me irritado não porque seja um livro ruim, ou que seja uma estória previsível ou qualquer coisa do tipo, não senhores, muito pelo contrário. O livro está me irritando porque todas, salvando poucas excessões, todas as personagens são pessoas detestáveis em sua maioria. Isso começa no protagonista, que é inteligentíssimo mas, ainda assim um perfeito imbecil ingênuo, daqueles que é capaz de perdoar a todos, o que não é feio, mas é do tipo que seria capaz de perdoar no ato alguém que, em sua frente acabasse de matar sua mãe, por exemplo. É do tipo que não se ofende nunca, mesmo diante do mais profundo insulto. Parece até que o mesmo não possui amor próprio, um verdadeiro bobalhão infantil, isso até aqui tem me irritado por demais.

Não sendo isso suficientemente desagradável, todas as outras personagens são pessoas com umas falhas de caráter que, vez ou outra, acabam por se mostrarem. E essas falhas são coisas que pelo menos em mim, tem despertado um profundo desprezo por todos na estória.

Entretanto, pois em tudo há um contudo, quando paro pra ler o livro o tenho lido profundamente, com real interesse, porque mesmo sendo a grande maioria das personagens pessoas com as quais eu não consigo sentir afeto ou interesse algum, a estória toda é exposta dum jeito que me faz querer saber o fim. Saber se realmente eu vou ficar puto com Dostoiévsky pelo resto da vida ou se tais personagens, pelo menos as com mais destaque, vão acabar se redimindo e merecendo um interessante final. Enfim, estou um tanto curioso, não muito, ainda assim intrigado.

Romances do século dezenove são um tipo de leitura que eu tenho percebido como sendo um tanto enfadonhas, pelo menos até o presente momento. Sim, podem ser livros deveras interessantes em certos pontos, ainda assim não deixam de ser enfadonhos. Não sei muito bem porque, mas toda essa futilidade da gente rica da época é algo que não me atrai muito, gosto de livros que possam, através de uma boa narrativa, me passar alguma introspecção, me fazer pensar d'alguma forma que seja. E embora O Idiota seja um romance do século dezenove, sobre gente rica e fútil, ele acaba me ensinando certas coisas sobre como nos relacionamos.

Recentemente um acontecimento, desagradável por sinal, acabou me trazendo uma visão mais interessante sobre algumas características do livro, e além de me fazer começar a enxergar Dostoiévsky como um interessante autor.

Certas pessoas que conheço não me estimam, na verdade me detestam, por questões pessoais quaisquer. Acontece que, ainda assim, essas pessoas se portam de uma maneira muito ingênua consigo mesmas diante do fato de me abominarem. A ingenuidade reside no ponto de que essas mesmas pessoas não chegam a portar-se de acordo com aquilo que sentem, ou seja, de forma que torne explícito a todos que de fato me abominam. Nessa sua ingenuidade, creio que chegam a pensar serem detentores de poderosos e triunfantes planos conspiratórios que teriam o poder de me prejudicar de alguma forma. Ingenuidade pura, sou do tipo que não se importa muito com a grande maioria dessas fuleragens, então isso não me afeta muito, não atualmente.

Pois bem, é exatamente dessa forma que certas personagens do livro se manifestam, e além de enganar somente ao tolo Míchkin, chegaram a me enganar também como leitor. Posto que essas pessoas se portam com o príncipe de forma a tratá-lo bem, conforme todas as fuleragens do trato social. Ainda assim, mesmo lhe tratando bem, conforme dita o trato, essas personagens vez ou outra não negam fogo e perdem as estribeiras demonstrando toda a sua podridão interna e externando uma espécie de cólera pra com Míchkin. E o que é realmente mais foda nisso tudo, é que Míchkin é um verdadeiro boiolinha, e prontamente perdoa a todos e os acolhe, esses por sua vez, se surpreendem com a atitude do mesmo e parecem se redimir com o protagonista, bem como comigo, o leitor. Então eu sigo contente e saltitante com minha leitura, por pensar que reside um pouco de humanidade nos personagens e que eles de fato são nobres em algum quesito. Qual nada, não demora muito pra que qualquer evento, por mais simplório que possa ser, acabe sendo motivo pra que os mesmos se sintam livres os suficiente pra externar sua cólera novamente.

Isso tudo, tão somente reafirma algo que eu já prego há certo tempo. Todos devem se comportar conforme aquilo que realmente sentem, não sendo ingênuos consigo mesmos e não procurando eventos aleatórios quaisquer pra terem a liberdade de serem rudes, tais como são os personagens do livro, párias que são. Entretanto, existe algo que media tudo, e acaba tornando a convivência entre todos algo real, isso não é outra coisa senão o respeito. Respeito esse que é o responsável por manter a integridade de todos num grupo, mesmo que nesse grupo existam alguns que se desgostem, respeito é tão somente a prova que de fato possuímos um cérebro evoluído e somos capazes de agir com sensatez.

Recentemente eu fui prejudicado, expulso de um grupo justamente por conta disso, por conta de que, assim como as personagens repulsivas existentes em O Idiota, certas pessoas que não me estimam não sabem lidar com esse desagrado e por sua vez, acabam se utilizando de um evento aleatório qualquer pra externar esse sentimento e agir de forma grostesca como as já citadas personagens agem.

A conclusão que aqui tomo é a seguinte. Prefiro ser honesto comigo mesmo, ainda que sendo taxado de "filho da puta" de "mala", agir honestamente diante do que sinto com relação a certas pessoas, respeitá-las no que me compete e continuar tocando minha vida, do que agir conforme o idiota de Dostoiévsky, que a todos ama, quando na verdade, sequer sabe quem são.


Eu e o Windows

Embora esse blog tenha decididamente sido por mim classificado como um projeto pessoal de documentação acerca - principalmente - da minha vida, ele não tem merecido a devida atenção e aparentemente tem estado num estado gritante de falta de atualizações. Se alguém de alguma forma se importa com isso porque gosta de ler o que eu escrevo eu peço perdão e ao mesmo tempo agradeço, até porque eu acho que a minha vida - aparentemente - só é interessante a mim, que sou um dos poucos capazes de me aturar e compreender. Enfim, fuleragens e mais fuleragens.

As pessoas que me conhecem "in real life" sabem o quanto certas características que possuo se encaixam muito bem no já tão sem graça e - embora hoje em dia nem tanto - clichê do nerd antisocial, psicopata e introvertido. Bem, é um fato, eu realmente me encaixo, sob determinados aspectos é claro, em alguns parâmetros que correspondem à esse clichê. Um desses é que, ainda que eu seja um enorme noob em muitas coisas na área, sou um amante de computação e tecnologia, embora eu deteste o termo "geek" e afins. Creio que isso é coisa pra bixinhas modernas que se percebem na necessidade de classificação, muito provavelmente por conta da falta de autoafirmação pessoal, fuleragens novamente.

Pois sim, eu adoro computação e me divirto muito estudando certos aspectos dessa interessante ciência, se é que assim pode ser classificada. Só que pelo que já percebi isso não fica muito exposto nos textos que tenho publicado no Umbra Virtual até aqui, eu meio que ainda não deixei muito clara essa vertente da minha personalidade. E hoje, diferentemente das outras vezes, eu me senti na vontade de publicar algo relativo à alguma experiência tecnológica que eu possa ter passado recentemente.

Neste exato momento eu estou usando o então recém lançado Windows 7, e mesmo até agora eu tendo sido um entusiasta Linux, bem como da enorme família variante do Unix, eu estou deveras impressionado com a atual versão do Windows, bastante impressionado e um tanto quanto satisfeito, visto que - muito embora por conta do meu enorme preconceito, fundamentado é claro - eu tenha uma péssima impressão de qualquer coisa que possa vir da Microsoft, eu de fato já fui uma espécie de "Windows hater", não exageradamente ao ponto de me meter em grandes e fervorosas discussões, acontece que o ambiente Windows nunca tinha me agradado como abiente desktop até então.

Por conta do meu atual hardware ser bastante modesto Windows nunca foi uma boa pedida pro meu computador, sempre esteve presente dentre as partições do meu HD, só que eu sempre usei Linux por conta da diferença gritantemente enorme no que diz respeito ao desempenho do computador. Obviamente que já estava instalando o Windows pensando nas possíveis travadas que o sistema daria, bem como todas as modificações gráficas que eu teria de fazer para obter melhor desempenho. Qual não foi a minha surpresa ao perceber que mesmo rodando com todos os efeitos gráficos disponíveis o sistema tem apresentando um interessante desempenho até aqui, sem aquelas travadas inesperadas e toda a lerdeza já muito tradicional.

Windows 7 tem se mostrado um ótimo ambiente pra desktop, e tem sim condições de satisfazer as maiores necessidades do usuário comum. Agora mesmo eu estou usando o editor de textos embutido no sistema, o clássico WordPad, o qual, assim como todos os outros acessórios padrão que vêm com o sistema, recebeu uma enorme melhora, e embora seja a interface o que mais se destaca, o que realmente mais me agradou foi saber que agora o WordPad é compatível com a extensão .odt, utilizada pela suíte OpenOffice, realmente achei isso muito bom. O Paint recebeu uma melhora, além de uns outros aplicativos simples que não vinham antes e que tem lá a sua utilidade.

Diante da boa experiência que tenho tido com o ambiente até aqui, resolvi me limpar do meu preconceito e estudar - como um bom hobbysta que sou - mais profundamente todo sistema, creio que ele tem um grande potencial, geralmente desconhecido pelos tradicionais usuários e pseudohackers de lan house.

Antisocial?

Já faz um certo tempo que não escrevo, isso se deve bastante em função da minha repentina mudança de rotina, não esquecendo de ressaltar os comuns desperdícios do meu tempo, onde embora eu já tenha agendado uma determinada tarefa que acredito ser mais produtiva e interessante, como escrever por exemplo, acabo - na verdade -, empregando o meu tempo com jogos e conteúdo massificante pela internet, mas o pior, o verdadeiramente pior desperdício de tempo que existe é aquele onde o tempo desperdiçado é destinado a pessoas desagradáveis, e eu já cometi esse pecado, e não mudo a minha opinião ao acreditar que isso foi, e é verdadeiramente um desperdício de tempo.

Eu, particularmente, não me considero um ser antisocial, alguém de antipatia e arrogância extremas a tal ponto de afastar todos que lhe cercam, eu não sou assim. Entretanto, eu - diferente da maioria das pessoas -, admito quando de fato não gosto de alguém ou quando uma pessoa simplesmente não me é interessante, ou seja, quando as conversas geradas, os assuntos dispostos, o próprio pensamento e a companhia de tal pessoa não me são agradáveis.

Ora, creio que seja um comportamento mais do que natural bater em retirada diante de um ambiente desagradável, afinal, não há sentido nenhum em estar do lado de uma companhia infrutífera e enfadonha como são a maioria das garotas que conheço, garotas essas que são muito estimadas e apreciadas pela maioria dos meus amigos.

Estar do lado de alguém desagradável ou pouco agradável, sendo que existem coisas mais divertidas, interessantes e proveitosas a serem feitas, pode e dever ser caracterizado como desperdício de tempo. E eu penso que tempo é um fator vital na vida de alguém, vital ao ponto de que se for bem organizado e orientado tem o poder de proporcionar uma vida melhor e mais agradável.

Sagaz como você é, creio que é bem capaz de perceber que a estima que meus amigos tem - pelo menos alguns deles - por tais garotas é a causa de um pequeno - não tão pequeno assim - conflito, capaz até de determinar o nível de coesão existente no nosso grupo. Eu digo garotas simplesmente porque elas são uma triste maioria dentre essas pessoas que realmente não me são interessantes, existem outras poucas pessoas envolvidas. Esse minúsculo conflito, após várias e cansativas dicussões, foi capaz de determinar o meu comportamento e a posição que tomarei diante do próprio grupo, o que parece ser um exagero, mas não é. É apenas uma forma de encarar objetivamente certos conflitos que de uma forma ou de outra me afetam e me fodem desnecessariamente,

As coisas são de fato muito simples, as relações entre os próprios seres humanos possui - mesmo que minimamente - uma certa característica mecânica, envolta por um método, além daquele velho conceito newtoniano de ação e reação. Ora, se uma pessoa de fato não me agrada, ou se de alguma forma eu sou desagradável e naturalmente incômodo a alguém, o mais natural seria o afastamento, puro e simples. A entrega exarcebada às próprias emoções nos fazem, em determinados aspectos, cometer enormes pecados capazes de gerar frustrações, complicações e momentos de infelicidades, que são de fato coisas completamente evitáveis.

Agora, o que me deixa deveras irritado é que por conta de encarar os fatos de forma simples e natural, por conta de ser ciente das minha preferências e ter ciência que as minhas atitudes são tomadas justamente por conta dessas preferências, eu sou posto em cheque, minhas atitudes são inferiorizadas e no fim de tudo sou tido com o arrogante antisocial, o que é muitíssimo desagradável. Hoje em dia nem tanto, mas não é confortável escutar isso de um amigo como já escutei outras vezes, o que é claro, pode significar que possivelmente tais pessoas possam estar corretas, o que eu aceitaria sem problemas, acontece que em nenhum aspecto tal argumento foi validado por algum conceito lógico, as atitudes das próprias pessoas que assim me classificaram só tende a provar a minha teoria do mecanicismo das relações e no fim das contas acabo estando - pelo menos em parte - certo, e saindo prejudicado mesmo assim.

Como eu disse em um post anterior em um blog que excluí, a tendência é que eu progressivamente me afaste, por conta de estimar meus amigos e porue querer deixar de ser o gerador de conflitos no grupo. Sendo estimada a presença de pessoas que me desagradam, eu naturalmente me retiro, pois sei que perder o meu tempo é algo me deixa muitíssimo insatisfeito e infeliz. Tenderei a procurar outras formas de tornar o meu tempo produtivo, e o que não me faltam são tarefas agendadas, mas eu prevejo que esse natural afastamento, se ocorrer de fato, só vai me gerar um pouco mais de sossego, as confusões que já passei por tentar tolerar essas pessoas já me desgastaram muito, creio que as coisas tendem a melhorar daqui pra frente.

Pra Que Serve Um Blog?

Nesse exato momento são 04:01 da madrugada e - como sempre - eu continuo acordado, já que eu sou completamente noturno e acho não existe nada melhor do que dormir durante o dia - tirando algumas exceções como: sexo, jogos, internet, etc.

Estou me recuperando de um resfriado lascante do qual estou acometido desde antes de ontem, surgiu apenas como um leve resfriado, mas ontem, quando acordei já estava completamente ferrado com nariz entupido e garganta inflamada, enfim, um resfriado comum. Mas já estou bem melhor.

Ainda a pouco estava dando uma olhada no blog do meu grande - e isto digo com orgulho - amigo Rafael Alexandrino Malafaia, blog este que você pode conferir clicando aqui. Vez ou outra eu leio o blog dele e acho incrível como ele encara o próprio blog, penso que ele segue aquela proposição antiga da real utilidade de um blog.

Pelo que sou capaz de entender, quando essa onda de blogs surgiu na internet a intenção era dar às pessoas um espaço para dividir, compartilhar elementos da sua vida com outras pessoas e dessa forma dividir experiências, vivência. Só que com o passar do tempo parece que esse tipo de espaço virtual acabou se corrompendo, ou apenas - quem sabe? - tomando um novo aspecto e funções variadas. Parece que hoje em dia os blogs se tornaram uma forma de propor conteúdo massificante e alienante pro público em geral, parece que este tipo espaço existe somente pra divulgar informação fútil pras outras pessoas e tentar faturar um dinheiro encima disso.

Admito que eu gostaria sim, de ganhar dinheiro com o meu blog - isso justifica os banners que haviam ali do lado -, mas eu noto que pra que alguém realmente ganhe dinheiro com um blog é necessário seguir essa atual tendência que todos seguem, ser apenas mais uma fonte de conteúdo alienativo. Esse tipo de coisa, dependendo é claro da quantidade de atualizações e da forma de divulgação, acaba gerando um número considerável de visitas, todo mundo gosta de rir e ver futilidades pela internet.

Dependendo do número de visitas, propostas de parcerias com outros blogs surgem, banners onde se ganha pela quantidade de cliques, propaganda patrocinada, enfim, dá pra se transformar um blog num bom negócio e numa fonte de renda, isso é claro se você se dedicar e tiver paciência.

Desde que eu retomei o Umbra Virtual a pouco mais de um mês, andava meio desorientado a respeito do conteúdo central de todo o blog, do que realmente expor aqui, que tipo de conteúdo disponibilizar. Acabei percebendo que não tenho paciência pra ficar buscando pela internet notícias ou coisas inúteis/engraçadas/interessantes pra quem possa acessar o site.

Acho que um blog é um lugar pra se divulgar experiências, vivências pessoais e compartilhar isso com outras pessoas que de alguma forma possam se identificar com a vida de quem publica. É exatamente isso que o Malafaia faz - embora eu ache o blog dele uma loucura só - ele utiliza muito bem essa ferramenta e isso acaba se tornado divertido pra quem escreve, porque compartilhar vivências é inerentemente humano.

Creio eu, que pra ele, escrever acabou se tornado algo interessante, agradável, e é exatamente isso que eu busco, tornar esse lugar um lugar agradável e interessante nem que seja só pra mim, compartilhando de elementos da minha vida com outras pessoas, registrando a minha vida ao longo de textos durante os anos que virão.

Percebi - meio que num lampejo - logo depois de ler um post dele, que esse espaço é meu, portanto eu sou livre pra postar aqui aquilo que quiser e que portanto, escrever algo em função de quem possa ler acaba descaracterizando esse lugar, acaba fazendo com que não seja mais meu e sim que seja dos outros, e não é isso que eu quero.

Esse é o Umbra Virtual, uma documentação pessoal sobre a minha vida.

RPG


Entendo que a maioria das pessoas que visitam esse blog são meus amigos e portanto compartilham comigo de determinadas atividades, uma delas é jogar RPG aos sábados no Parque da Residência, aqui em Belém. Mesmo diante disso eu penso ser necessário explicar, embora que rasteiramente, o que vem a ser RPG e o que é o Projeto Augúrio.

Pois bem, RPG é a sigla para Role Playing Game, que numa tradução pouco específica seria algo como Jogo de Interpretação de Personagens. Basicamente RPG é um jogo de imaginação, onde um cenário é proposto, aventuras são narradas e as ações dos jogadores são tomadas dentro do cenário, tudo [é claro] regido por um sistema de regras que determina o sucesso ou o fracasso em se realizar determinadas ações, desde desferir um soco à discursar em praça pública. RPG em muitos casos acaba se confundindo com peças de teatro em que o roteiro é livre, onde a partir das descrições feitas pelo narrador as atitudes dos personagens/jogadores vai sendo tomada.

O Projeto Augúrio é um projeto de RPG, em que o cenário é o Mundo das Trevas, marca registrada da editora White Wolf, cenário esse no qual existe uma linha de outros subcenários incisos, que abordam sob diferentes perspectivas o Mundo Das Trevas, esses jogos são Lobisomem: O Apocalipse [que é o que jogamos no Projeto Augúrio], Mago: A Ascensão [uma metafísica pirante], Vampiro: A Máscara [o preferido do góticos e emos], Changeling: O Sonhar e por último Wraith: The Oblivion.

A aproximadamente um ano atrás eu entrava no projeto, era a minha primeira vez jogando Lobisomem e por conta disso eu era um jogador extremamente inexperiente no cenário, com o passar do tempo as coisas foram se tornando mais familiares e jogar tornou-se um grande prazer, mesmo eu tendo um personagem extremamente controverso e difícil de se adaptar, um arrogante, insubordinado e prepotente que acabou comprando certas brigas com outros personagens no decorrer do jogo, foi um pouco complicado jogar com ele, dada essa personalidade geradora de conflitos. Por conta dessas características do meu personagem acabou-se gerando uma certa inimizade com alguns outros jogadores que eu creio que não foram muito com a minha cara por pensar que eu era o próprio personagem, o que na minha opinião é imaturidade extrema e falta de seriedade ao jogar RPG.

Devo ressaltar também que o cenário de Lobisomem é muito espartano, marcial, rígido, denso. É um sociedade de guerreiros metamorfos cheios de fúria e força, onde a qualquer momento cabeças podem rolar, planos de salvação da humanidade podem ruir e verdadeiras richas entre os próprios jogadores podem ser geradas, na minha opinião Lobisomem é um jogo adulto, que exige um nível de entendimento por parte do jogadores, eu não o aconselho a adolescentes incautos que querem jogá-lo como ele realmente é. Agora, se o intuito é apenas batalhar e matar monstros ele é um jogo excelente, ação é o que não falta ali.

Pois bem, faz cerca de duas semanas que joguei a última narrativa com o meu personagem, devido o decorrer de toda a estória ele teve de se sacrificar em uma batalha praticamente impossível de se vencer, mas isso são detalhes e não é nisso que quero me focar nesse texto. O que realmente quero expor é o poder que o RPG teve em influenciar no processo de formação da minha personalidade como indivíduo, a capacidade que ele tem em proporcionar uma experiência de vida que jamais poderia se obter em condições normais, e a influência que o RPG tem em determinadas ações dos jogadores fora de jogo, em situações reais de suas próprias vidas.

Eu realmente estou muito farto de todo o preconceito gerado encima deste hobby, estou cansado das críticas às quais já fui submetido dentro de casa, quando acima de tudo o RPG estava me proporcionando experiências de vida, melhorando a personalidade, auto estima e poder de auto afirmação de uma pessoa como eu, que não diferente de você sou alguém que a cada dia tem algo a melhorar, e hoje eu devo parte dessas melhorias às experiências sofridas pelo meu personagem durante todo esse período no Projeto Augúrio.

O RPG me proporcionou conhecimento, expandiu meu ciclo de relacionamentos e hoje eu acredito que possuo uma visão mais aguçada do mundo que me cerca, hoje em dia, diante de certos fatos eu me indago coisas como: "O que o meu personagem faria numa situação como essa?". Evidente que não procuro me comportar como ele se comporta, como um troglodita antisocial, o que na verdade era o que ele acabava se tornando algumas vezes, entretanto eu observo que mesmo diante desse poço de incongruências e comportamentos desagradáveis um personagem feito esse tem muito a ensinar a uma pessoa como eu, além de tudo aquilo que eu pude aprender com os outros personagens.

Ocasionalmente sou tachado de nerd, [o que não vem a ser uma ofensa, mas quando é feito pejorativamente é algo realmente desagradável], de vagabundo e irresponsável por cultivar um hobby como esse, entretanto, eu prefiro ser um 'nerd', 'vagabundo', 'irresponsável' do que ser igual a toda essa massa de ignorância que me cerca todos dias, de toda a futilidade pregada por todos os lados, além da total falta de compromisso que as pessoas tem pra consigo próprias, certas pessoas esquecem que ser alguém mais inteligente deveria ser um objetivo primário em suas vidas. E que deveriam cultivar atividades que as tornassem pessoas mais inteligentes, RPG é uma dessas atividades.

Sentirei saudades do meu personagem e das experiências que passei jogando, creio que vou dar uma parada no RPG por enquanto, certas responsabilidades, e a minha atual condição [para mais detalhes clique aqui] me forçam a tomar essa decisão, penso que passado esse período voltarei a jogar e me divertir [ou me emputecer] com o pessoal, todo esse longo período que passei jogando foi deveras positivo e muito válido.

Esse post eu dedico aos narradores [aos atuais e aos que tiveram de deixar o projeto] que trabalharam arduamente pra criar uma estória [ainda que cheia de altos e baixos] divertida e atraente aos jogadores, muito obrigado.

Também dedico ao meu personagem, sentirei falta de jogar com ele, sentirei falta de ser ele.



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