RPG


Entendo que a maioria das pessoas que visitam esse blog são meus amigos e portanto compartilham comigo de determinadas atividades, uma delas é jogar RPG aos sábados no Parque da Residência, aqui em Belém. Mesmo diante disso eu penso ser necessário explicar, embora que rasteiramente, o que vem a ser RPG e o que é o Projeto Augúrio.

Pois bem, RPG é a sigla para Role Playing Game, que numa tradução pouco específica seria algo como Jogo de Interpretação de Personagens. Basicamente RPG é um jogo de imaginação, onde um cenário é proposto, aventuras são narradas e as ações dos jogadores são tomadas dentro do cenário, tudo [é claro] regido por um sistema de regras que determina o sucesso ou o fracasso em se realizar determinadas ações, desde desferir um soco à discursar em praça pública. RPG em muitos casos acaba se confundindo com peças de teatro em que o roteiro é livre, onde a partir das descrições feitas pelo narrador as atitudes dos personagens/jogadores vai sendo tomada.

O Projeto Augúrio é um projeto de RPG, em que o cenário é o Mundo das Trevas, marca registrada da editora White Wolf, cenário esse no qual existe uma linha de outros subcenários incisos, que abordam sob diferentes perspectivas o Mundo Das Trevas, esses jogos são Lobisomem: O Apocalipse [que é o que jogamos no Projeto Augúrio], Mago: A Ascensão [uma metafísica pirante], Vampiro: A Máscara [o preferido do góticos e emos], Changeling: O Sonhar e por último Wraith: The Oblivion.

A aproximadamente um ano atrás eu entrava no projeto, era a minha primeira vez jogando Lobisomem e por conta disso eu era um jogador extremamente inexperiente no cenário, com o passar do tempo as coisas foram se tornando mais familiares e jogar tornou-se um grande prazer, mesmo eu tendo um personagem extremamente controverso e difícil de se adaptar, um arrogante, insubordinado e prepotente que acabou comprando certas brigas com outros personagens no decorrer do jogo, foi um pouco complicado jogar com ele, dada essa personalidade geradora de conflitos. Por conta dessas características do meu personagem acabou-se gerando uma certa inimizade com alguns outros jogadores que eu creio que não foram muito com a minha cara por pensar que eu era o próprio personagem, o que na minha opinião é imaturidade extrema e falta de seriedade ao jogar RPG.

Devo ressaltar também que o cenário de Lobisomem é muito espartano, marcial, rígido, denso. É um sociedade de guerreiros metamorfos cheios de fúria e força, onde a qualquer momento cabeças podem rolar, planos de salvação da humanidade podem ruir e verdadeiras richas entre os próprios jogadores podem ser geradas, na minha opinião Lobisomem é um jogo adulto, que exige um nível de entendimento por parte do jogadores, eu não o aconselho a adolescentes incautos que querem jogá-lo como ele realmente é. Agora, se o intuito é apenas batalhar e matar monstros ele é um jogo excelente, ação é o que não falta ali.

Pois bem, faz cerca de duas semanas que joguei a última narrativa com o meu personagem, devido o decorrer de toda a estória ele teve de se sacrificar em uma batalha praticamente impossível de se vencer, mas isso são detalhes e não é nisso que quero me focar nesse texto. O que realmente quero expor é o poder que o RPG teve em influenciar no processo de formação da minha personalidade como indivíduo, a capacidade que ele tem em proporcionar uma experiência de vida que jamais poderia se obter em condições normais, e a influência que o RPG tem em determinadas ações dos jogadores fora de jogo, em situações reais de suas próprias vidas.

Eu realmente estou muito farto de todo o preconceito gerado encima deste hobby, estou cansado das críticas às quais já fui submetido dentro de casa, quando acima de tudo o RPG estava me proporcionando experiências de vida, melhorando a personalidade, auto estima e poder de auto afirmação de uma pessoa como eu, que não diferente de você sou alguém que a cada dia tem algo a melhorar, e hoje eu devo parte dessas melhorias às experiências sofridas pelo meu personagem durante todo esse período no Projeto Augúrio.

O RPG me proporcionou conhecimento, expandiu meu ciclo de relacionamentos e hoje eu acredito que possuo uma visão mais aguçada do mundo que me cerca, hoje em dia, diante de certos fatos eu me indago coisas como: "O que o meu personagem faria numa situação como essa?". Evidente que não procuro me comportar como ele se comporta, como um troglodita antisocial, o que na verdade era o que ele acabava se tornando algumas vezes, entretanto eu observo que mesmo diante desse poço de incongruências e comportamentos desagradáveis um personagem feito esse tem muito a ensinar a uma pessoa como eu, além de tudo aquilo que eu pude aprender com os outros personagens.

Ocasionalmente sou tachado de nerd, [o que não vem a ser uma ofensa, mas quando é feito pejorativamente é algo realmente desagradável], de vagabundo e irresponsável por cultivar um hobby como esse, entretanto, eu prefiro ser um 'nerd', 'vagabundo', 'irresponsável' do que ser igual a toda essa massa de ignorância que me cerca todos dias, de toda a futilidade pregada por todos os lados, além da total falta de compromisso que as pessoas tem pra consigo próprias, certas pessoas esquecem que ser alguém mais inteligente deveria ser um objetivo primário em suas vidas. E que deveriam cultivar atividades que as tornassem pessoas mais inteligentes, RPG é uma dessas atividades.

Sentirei saudades do meu personagem e das experiências que passei jogando, creio que vou dar uma parada no RPG por enquanto, certas responsabilidades, e a minha atual condição [para mais detalhes clique aqui] me forçam a tomar essa decisão, penso que passado esse período voltarei a jogar e me divertir [ou me emputecer] com o pessoal, todo esse longo período que passei jogando foi deveras positivo e muito válido.

Esse post eu dedico aos narradores [aos atuais e aos que tiveram de deixar o projeto] que trabalharam arduamente pra criar uma estória [ainda que cheia de altos e baixos] divertida e atraente aos jogadores, muito obrigado.

Também dedico ao meu personagem, sentirei falta de jogar com ele, sentirei falta de ser ele.



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