DESABAfo.

Entre versos não há carícias
Nesses versos morreu a vida
São linhas escritas por nada
Sentimentos guardados numa tecla
Paixão virtual, solidão acalentada
Essas luzes incandescentes
Luzes num quadrado morto
Espalham-se pela sala
E refletem nos rostos apagados

Alguém, há um certo tempo atrás, me escreveu isso. Ela possivelmente devia estar sentindo algo por mim, acredito que eu também sentia uma leve paixão por ela na época. Leve por que eu, com o tempo, desenvolvi o hábito de espantar esse tipo de sentimento, medo do fracasso. Não medo em si, apenas receio em sentir o troço ruim que o fracasso costuma carregar nesses casos, uma dor que só pode ser definida como escrota. Enfim, nada aconteceu. Possivelmente com o tempo ela deve ter observado maiores detalhes da minha personalidade, deve ter - de alguma forma - me conhecido um pouco mais, e infelizmente é nisto que reside o problema.

Eu acredito que justamente o fato dela ter me conhecido - ainda que minimamente - melhor, acabou por decepcioná-la. Hoje em dia eu me sinto mal simplesmente por isso, porque tenho tido provas de que sou decepcionante. De que eu poderia hoje ter tido - ainda que, possivelmente breves - relacionamentos mais profundos com gente que eu de certa forma desejei, e eu costumo ser feliz quando tenho aquilo que quero.

Ainda recentemente, após "ter perdido a compostura", como me disse um certo amigo, eu acabei forçando a barra e vendo algo que reafirmava aquilo que eu acabo de dizer que sou - ainda que de certa forma apenas - decepcionante. E hoje, agora, eu me sinto só. Eu perdi quem hoje poderia estar comigo e, provavelmente, me ajudando. Eu sou humano, tão fraco quanto um; preciso de outro fraco do meu lado pra que assim a gente seja forte, ou simplesmente morrer sendo fracos mesmo, mas felizes pelo menos.

Certa feita eu vi uma fraca, de uma tristeza sem cura, d'uma fragilidade imbecil, sofrendo por gente idiota, por isso fraca, mas ainda assim muito bela na sua fraqueza, tão humana quanto eu. Mas como eu disse, costumo ser decepcionante. Hoje eu sou um fraco sozinho, e ao que parece ela ficou mais forte. Tanto que costuma me ferir um pouco. Eu perdi.

Eu me devo desculpas, e vou ter que continuar me pedindo desculpas até morrer, porque - inafordunamente - eu sou assim. Isto faz parte daqulo que sou, ainda que eu desconheça o que de fato eu venho a ser. Vou continuar ter que me pedir desculpas quando, sem avisar, um medo sem muito sentido me acordar durante a noite e eu não ter a quem ligar. Não ter como escutar uma voz que me acalme. Mas é muito simples dizer que eu não sou humano, apontar o dedo pra mim e dizer que eu sou intransigente, que não entendo os outros. Tolo você.

É, tolo sou eu.

Olhem só pra mim, "perdendo a compostura" e sendo um "idiota".
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