Conhecimento

Hoje pela manhã tive de acordar um pouco mais cedo, coisa de nove horas da manhã. Bem, pode não parecer realmente cedo considerando-se os padrões que todo mundo toma por "acordar cedo", mas levando-se em conta os padrões de alguém que costumeiramente dorme às 2:30, 3:00 da madrugada e acorda às 11:00 da manhã, hoje eu realmente acordei cedo. Ainda assim, acordei um tanto animado já que havia combinado de ir estudar com os meus amigos pra maratona de programação que anualmente ocorre em todo o Brasil.

A maratona de programação é uma competição que visa testar as habilidades lógicas dos competidores bem como seu domínio sob a linguagem a que se predispõem estudar. Os exercícios costumam ser um tanto complexos, mas com certa dose de treinamento - uma grande dose, diga-se - obtém-se prática e com isso a experiência e aptidão necessária pra resolver complexos problemas de lógica. Começamos a treinar hoje pela manhã e pelo que pude analisar possuímos sérios problemas em determinados pontos, principalmente nos que dizem respeito à clareza de código e capacidade de comunicação dentro do grupo, comunicação essa que se torna ainda mais inviável quando o Gustavo é contrariado, porque ele admitindo ou não, é notável a sua irritação quando lhe contrariam, mais ainda se ele já estiver levemente stressado por estar tentando solucionar determinado problema. É algo que devemos contornar daqui em diante caso queiramos realmente vencer.

Ainda assim eu não costumo me importar com essas pequenas eventualidades, sinto prazer em programar, ter a capacidade de escrever um programa de computador que sempre há de resolver determinado problema é algo que considero mágico. Saber que o problema está pra sempre resolvido e que se for necessário resolvê-lo for mais uma vez basta executar o programa criado é algo que me satisfaz bastante. Programar é algo que me motiva, ganho certos dias de minha vida simplesmente por ter aprendido algo novo relacionado à programação.

Hoje não tivemos um bom treinamento, eu cheguei tarde e o simples exercício que fizemos acabou nos tomando a manhã inteira. Mas conseguimos resolvê-lo e o programa está feito, ainda assim eu sei que há arestas a serem aparadas e já aqui em casa consegui observar certos traços no algoritmo que o tornam um tanto deselegante, como a adição desnecessária de certas linhas de código. Pra mim o interessante não é resolver determinado problema, mas sim resolvê-lo da maneira mais eficiente e elegante possível, é esse o tipo de pensamento de um verdadeiro hacker. Assunto esse (hacking) que eu desejo comentar posteriormente com um pouco mais de clareza e tempo.

Já a algumas semanas eu venho estudando C++ (uma linguagem de programação) todas as noites, mas ainda assim não estou satisfeito com o rendimento adquirido até aqui, tenho me travado bastante com problemas simples de lógica, coisas que sei que sou plenamente capaz de resolver. Detesto ver alguém bancando o inteligente pra cima de mim ainda mais quando sei que sou capaz de resolver o problema sozinho, por conta disso me esforço pra sempre saber mais. Muito provavelmente ou meu baixo rendimento se deve à - mais um vez - má administração do meu tempo. Geralmente quando me sento diante do computador pra estudar estou cansado e sem a atenção e clareza necessárias pra resolver problemas ou estudar qualquer coisa. A partir de hoje pretendo administrar melhor a minha jornada de sono e tomar posturas que me permitam pensar com mais clareza ao enfrentar desafios de lógica. Quem sabe assim eu não me torno um grande programador no futuro?

Bem, com boas perspectivas ou não eu tenho seguido em frente nessa minha contraditória vida. O que importa agora é que tenho feito algo que me interessa e motiva, tenho lapidado a minha mente todos os dias. Aprender, descobrir e se aprofundar no mundo do conhecimento é algo precioso e o fabuloso e oculto mundo do conhecimento é capaz de tornar a vida de alguém melhor.

Ainda que hajam muitas coisas a serem esclarecidas eu sinto que, mesmo com toda a sua frigidez, o pensamento lógico e estruturado é capaz de me confortar muito mais que o mais quente dos abraços. Porque ainda que a lógica e o conhecimento sejam coisas frias e cruéis, não se esvaem de um dia para o outro, são coisas eternas e imutáveis. Como tudo aquilo que é verdadeiro.

Benjamim

Benjamim é um romance escrito por Chico Buarque, em suas páginas vive uma história incomum e que de certa forma me acompanhou enquanto eu passava por uma experiência desagradável. A cópia que possuo é uma que afanaram da biblioteca de uma escola municipal, ou estadual - não sei bem ao certo - e me deram. Acredito que esse tipo de atitude é um tanto reprovável e que furtos como esse são coisas um tanto tolas, se bem que, muito provavelmente isso não foi um furto, possivelmente os livros que ganhei apodreceriam intocados nas prateleiras de aço frio e nenhum dos noobs que lá estudam ou estudaram haveriam de aproveitar ou desfrutar de uma leitura como essa, mas enfim, possibilidades são muitas. Ético eu não sou, o que importa é que tenho o livro e uma interessante experiência ele me proporcionou.

Não sei muito bem o motivo específico disso tudo, mas parece que por estas terras todos adoram chupar as bolas do senhor Francisco Buarque, como se de certa forma ele fosse uma genialidade cultural encarnada, algo sobrenatural e fantástico, todos o amam por aqui. Eu, seguindo a minha natural tendência, não sou apreciador da obra deste cidadão, não a conheço, não sei do que ele costuma falar e tampouco me interesso por tudo isso. Esse gênero de música, a dita popular brasileira, em nada me atrai.

Ainda assim eu tenho um livro escrito por ele, há muito tempo tenho, mas sempre interrompia a leitura, me entediava por demais. Início deste mês eu comecei a lê-lo, e em nada o achei tedioso, enfadonho, chato nisso ou naquilo, a leitura me atraiu bastante e foi um prazer ler esse bagulho.

Benjamim é um homem tremendamente solitário, um tanto esquizofrênico e sofre de uma espécie de amargura silenciosa, sobretudo um personagem interessante. Houve certa mulher em sua vida que ele jamais foi capaz de esquecer, Castana Beatriz, menina mimada filha de um pai rico e um tanto quanto dominador, embora isso seja apenas uma suposição minha, não é algo muito claro no livro. Acredito que Castana Beatriz tenha sido uma exceção dentre tantas mulheres que já haviam passado pelas mãos e vida de Benjamim Zambraia, que era modelo fotográfico, homem bonito e galã. Conforme o livro esclarece, por algum desconhecido motivo Castana Beatriz desaparece, tão somente.

O tempo em todos deixa suas marcas e com Benjamim não foi diferente, o tempo o marcou também e os grisalhos nele chegaram ainda que fosse relativamente jovem. As câmeras não o abandonaram, sempre estavam em sua mente, lhe vigiando e observando, registrando tudo, e assim como elas também havia Castana Beatriz, escondida, perturbando-o. Mas ele estava só e sua vida era fria e sem graça, como qualquer outra. Ela jamais voltaria.

Certo dia num restaurante, ele avista uma mulher que em muito se parecia com Castana, isso o perturbou demasiadamente. Através de caminhos sinuosos e alguns recursos de roteiro ele entra na vida dessa mulher que avistou e suspira profundamente ao se notar vivendo Castana Beatriz novamente, Benjamim rejuvenescera. Ao fim do livro ela o mata e ele retorna à sua antiga solidão e frieza, mas não em vida dessa vez. Benjamim está morto e não houve final feliz.

Caroline fez algo semelhante comigo. Mas diferente de Benjamim, eu ainda vivo.

E assim eu encerro esse texto medíocre que fui forçado à escrever, chega disso.
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