Benjamim

Benjamim é um romance escrito por Chico Buarque, em suas páginas vive uma história incomum e que de certa forma me acompanhou enquanto eu passava por uma experiência desagradável. A cópia que possuo é uma que afanaram da biblioteca de uma escola municipal, ou estadual - não sei bem ao certo - e me deram. Acredito que esse tipo de atitude é um tanto reprovável e que furtos como esse são coisas um tanto tolas, se bem que, muito provavelmente isso não foi um furto, possivelmente os livros que ganhei apodreceriam intocados nas prateleiras de aço frio e nenhum dos noobs que lá estudam ou estudaram haveriam de aproveitar ou desfrutar de uma leitura como essa, mas enfim, possibilidades são muitas. Ético eu não sou, o que importa é que tenho o livro e uma interessante experiência ele me proporcionou.

Não sei muito bem o motivo específico disso tudo, mas parece que por estas terras todos adoram chupar as bolas do senhor Francisco Buarque, como se de certa forma ele fosse uma genialidade cultural encarnada, algo sobrenatural e fantástico, todos o amam por aqui. Eu, seguindo a minha natural tendência, não sou apreciador da obra deste cidadão, não a conheço, não sei do que ele costuma falar e tampouco me interesso por tudo isso. Esse gênero de música, a dita popular brasileira, em nada me atrai.

Ainda assim eu tenho um livro escrito por ele, há muito tempo tenho, mas sempre interrompia a leitura, me entediava por demais. Início deste mês eu comecei a lê-lo, e em nada o achei tedioso, enfadonho, chato nisso ou naquilo, a leitura me atraiu bastante e foi um prazer ler esse bagulho.

Benjamim é um homem tremendamente solitário, um tanto esquizofrênico e sofre de uma espécie de amargura silenciosa, sobretudo um personagem interessante. Houve certa mulher em sua vida que ele jamais foi capaz de esquecer, Castana Beatriz, menina mimada filha de um pai rico e um tanto quanto dominador, embora isso seja apenas uma suposição minha, não é algo muito claro no livro. Acredito que Castana Beatriz tenha sido uma exceção dentre tantas mulheres que já haviam passado pelas mãos e vida de Benjamim Zambraia, que era modelo fotográfico, homem bonito e galã. Conforme o livro esclarece, por algum desconhecido motivo Castana Beatriz desaparece, tão somente.

O tempo em todos deixa suas marcas e com Benjamim não foi diferente, o tempo o marcou também e os grisalhos nele chegaram ainda que fosse relativamente jovem. As câmeras não o abandonaram, sempre estavam em sua mente, lhe vigiando e observando, registrando tudo, e assim como elas também havia Castana Beatriz, escondida, perturbando-o. Mas ele estava só e sua vida era fria e sem graça, como qualquer outra. Ela jamais voltaria.

Certo dia num restaurante, ele avista uma mulher que em muito se parecia com Castana, isso o perturbou demasiadamente. Através de caminhos sinuosos e alguns recursos de roteiro ele entra na vida dessa mulher que avistou e suspira profundamente ao se notar vivendo Castana Beatriz novamente, Benjamim rejuvenescera. Ao fim do livro ela o mata e ele retorna à sua antiga solidão e frieza, mas não em vida dessa vez. Benjamim está morto e não houve final feliz.

Caroline fez algo semelhante comigo. Mas diferente de Benjamim, eu ainda vivo.

E assim eu encerro esse texto medíocre que fui forçado à escrever, chega disso.
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