Xuxa

É interessante como irresponsabilidade é algo inerente à alma do vagabundo, ou daqueles que tendem a fazer apenas aquilo que lhes apetece e isso somente num momento que lhes interessar. Eu sou basicamente assim, possuo essa tendência de fazer apenas aquilo que me agrada, detesto estar submetido à uma rotina que me force à fazer algo que eu realmente não quero fazer, ou seja, sou um vagabundo medíocre. Bem, mas isso é uma característica praticamente pertinente à todo ser humano e racional com um nível aceitável de inteligência e auto-estima, não falo da vadiagem e sim do fato de ser desagradável fazer algo que não se quer fazer. Todo mundo detesta ter que fazer algo à força, mas no fim, todos acabam se submetendo às suas “obrigações” por conta de valores como responsabilidade, competência e fuleragens correlatas.

Acredito que isso se dá por conta dos próprios objetivos que a maioria das pessoas traça, de forma que esses objetivos, esses fins, são considerados suficientemente válidos ao ponto de justificar a desagradável submissão a que essas pessoas se rebaixam, coisas como tarefas e “responsabilidades” inerentes ao cargo que possam estar ocupando. Essa é a filosofia de praticamente todos os idiotas que encontro por aí, principalmente na escola onde estudo, o CEFET (atual IFPA). E isso é detestável, é a coisa mais podre e abominável do mundo.

Um exemplo válido, que seria bem elucidativo ao que eu quero explicar, é o de atrizes ou apresentadoras de televisão que estão em fase de início de carreira. Não raramente, muitas dessas vagabundas se submetem a coisas detestáveis como artifício para conquistar popularidade e por consequência disso atingir a tão desejada “estabilidade financeira”, pra no fim se empanturrar com os frutos da sua prostituição. Santo Cristo, o que se passou pela mente da Xuxa pra que ela desse o rabo pr'aquele preto feio que é o Pelé? Amor é que não foi.

Pra mim, a atitude dos imbecis da minha escola não difere disso, por conta dessa filosofia de merda, de que "é válido andar sobre espinhos e cacos de vidro hoje se isso for parte do caminho que me leve à conclusão do objetivo que defini ontem". Esses idiotas se dispõem à qualquer exigência que a maioria dos professores - que em sua maioria não passam de pessoas pouco admiráveis, sem toda essa aura mística da relação professor-aluno – impõe.

Recentemente meu professor da disciplina de Sistemas Microprocessados distribuiu vários temas pertinentes ao conteúdo de sua matéria para equipes que foram formadas na hora, durante a aula. O que ele fez foi repassar o conteúdo didático que ele teria de ministrar em sala de aula para as equipes, ou seja, as equipes tiveram que apresentar um seminário sobre o tema sorteado. O que o professor está fazendo é resolver dois de seus problemas numa vez só, ele está finalizando todo o conteúdo do semestre e ao mesmo tempo criando uma forma de avaliar cada aluno, evitando assim que ele tenha que elaborar material didático, criar formas eficientes de avaliação, dar aula.

Essa história maquiavélica de que os fins justificam os meios é coisa de juvenis incautos que acabaram de entrar na puberdade, isso é balela. O maldito diploma que eu nem sei se vou conquistar ao fim desse curso jamais há de justificar qualquer coisa que eu possa ter feito para conquistá-lo: acordar cedo todos os dias sendo que eu sou biologicamente inapto para ter qualquer rendimento aceitável de manhã, passar madrugadas pesquisando coisas relativas à assuntos que deveriam ter sido ministrados em sala de aula, ter que aturar a insuportabilidade que eu sinto diante de certos professores que não possuem tato para conversar com aluno algum. Nada disso vai justificar esse diploma, que não passa de um passaporte pra alguma empresa de merda que precisa de mão-de-obra especializada e barata, um passaporte para o inferno na verdade.

Se eu terminar esse curso, vou olhar pro meu diploma e me sentir feito a Xuxa, que teve de chupar aquela rôla preta e nojenta. Não sei se quero isso pra mim, preciso ir fazer o que de fato quero.
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