Pequeno Resumo dos Últimos Acontecimentos

Considerando que este pequeno folhetim em hipertexto não passa de um projeto pessoal de documentação da minha vida, venho através do mesmo lhes expor, de forma um tanto resumida, o que aconteceu comigo nas últimas semanas, o que me leva a atualizar isto tão parcamente, além - é claro - de minhas conjecturas sobre qualquer coisa que me aprouver a mente.

Desde o último texto que escrevi, criei uma espécie de meta pessoal que consistiria em escrever dois textos por semana. Achei que seria válido me esforçar pra isso e manter o blog mais atualizado, melhorando minha escrita e me forçando a reservar um tempo pra relaxar um pouco. Escrever é relaxante, ainda que o que se escreva não seja de todo relevante. Isso de fato haveria de acontecer não fossem as contraventanias que ocasionalmente surgem sem nenhum alerta prévio.

Numa semana iluminada, quando pensei que poderia começar a me dedicar a mim e aos meus pensamentos, eis que meu teclado pifa e sem mais nem menos três de suas teclas deixam de funcionar, completa falta de sorte. Não poderia escrever coisa alguma sem dispor das letras S, X e W, sem contar o @ também. Letras como X e W não são muito usuais, a frequência de palavras com essas letras não é muito grande no meu vocabulário, entretanto, ficar sem a letra S foi o suficiente pra que a minha impulsividade e entusiasmo se esgotassem. Manuscrever algo não era uma opção, não me sinto confortável escrevendo manualmente e acredito que essa prática é retrógrada e contraproducente.

Posto que, teria de esperar minha mãe receber seu suado salário pra que ela dispusesse - ainda que um tanto desanimada - alguns miados Reais, necessários pra aquisição de um teclado novo, e como o salário dela costuma atrasar eu haveria de esperar um tanto. Só que, ainda esta semana, passeando pela escola vejo uma enorme pilha de entulho, Winchesters antigos, placas eletrônicas, madeira, lixo em geral. Só que no meio desse lixo todo havia uma certa variedade de teclados antigos jogados por ali, não me fiz de rogado e peguei uns três e meti debaixo do braço. De três apenas dois funcionam bem, o outro está com os pinos do conector quebrados, de maneira que preciso de um ferro de solda pra consertá-lo. Pretendo fazer isso em breve, pois esse parece ser um dos mais conservados e mais bacana de teclar.

Esse evento tosco, garimpar lixo, coisa vergonhosa pra alguns, sustento de outros, me proporcionou uma singela alegria, é bom estar desfrutando completamente dos prazeres juvenis de se ter um blog.

Me aconteceu recentemente também de abandonar por definitivo o meu curso técnico. Não me permito mais forçar-me à uma rotina que me desagrada além de me submeter aos desmandos de professores ignorantes, burros e com demasiado despreparo pedagógico. Gente que ao invés de qualificar profissionais acabam gerando vítimas. Carne crua, mão-de-obra barata pra um mercado medíocre.

Pensar nesse curso me irrita, os anos desperdiçados, os sapos engolidos, o esforço feito, as frustrações passadas. O CEFET foi essencial na minha formação intelectual e nisso posso considerá-lo como uma experiência bastante válida, mas tirando isso eu abomino aquele lugar. Perambular por ali me remete aos tempos de minha antiga turma, às minhas paixões que foram por água abaixo, todas elas. Me lembra do quanto eu era medíocre, tenho vergonha do que era. Hoje sou um tanto medíocre, mas sem vergonha.

Por conta da minha desistência tive de retornar ao supletivo pra ver como as coisas andavam no tocante à emissão do meu certificado de conclusão do Ens. Médio. Como tive de refazer a prova de Língua Portuguesa - devo ter reprovado em redação, ironicamente - não sabia se tudo estava certo e por consequência disso fiquei um tanto apreensivo. Cheguei lá, peguei a penúltima senha de atendimento, li uma revista Veja de junho de 2009, Guido Mantega nas páginas amarelas dizendo que o caminho econômico do Brasil já está traçado, independente de quem se eleja em 2010. Ele disse que se a nova gestão abolir o Bolsa Família, será deposta. Ri internamente dessa peculiar verdade, o governo viciou o povo em ração. Enfim, tirando o tédio e as reportagens sem sal, deu tudo certo, só esperar até Outubro pra pegar meu certificado, um alívio.

Agora estou aqui, parado. Sair da escola tem sido bom, retornei a ler o que quero, durmo quando quero e estudo apenas o que quero. Sou um tanto caseiro, raramente ponho os pés fora de casa se não houver um compromisso realmente interessante, ultimamente sequer tenho posto os pés na rua. Acabei me transformando no tradicional filho vadio, estorvo pra família, mas isso promete ser breve. Existe a possibilidade de que eu vá trabalhar no interior, algum emprego de pouca expressão, mas posso pegar algo melhor se utilizar meu enorme crânio.

Não sei o que fazer, essa cidade me proporciona determinados lazeres que me são muito estimados, determinadas comodidades. Mas, em contrapartida, não aguento mais esse lugar, essa violência, não aguento o que se passa nessa casa. Não sei o que faço. Quando eu era moleque não imaginava que as coisas haveriam de ser assim, eu só queria ter o cabelo azul e ser piloto da Aeronáutica.

Crianças são burras.
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