Vontades

É necessário que da minha parte surja um esforço na tentativa de ser sutil e com isso, agir de uma maneira que nunca apreciei em texto algum: enrolar, embromar, dizer algo indiretamente por uso de técnicas e/ou ferramentas de escrita/narrativa/descrição, ser indireto e covarde não sendo suficientemente másculo pra suportar o revés daquilo que penso. Em síntese, preciso ser um hipócrita medíocre.

Não possuo o hábito de recorrer a tais artifícios quando desejo dizer algo, geralmente me utilizo da informação crua e direta quando quero comunicar qualquer coisa. Isso faz de mim um rapaz não muito aprazível em certos pontos, gerando assim a antipatia de algumas pessoas. Contudo, necessitarei agir dessa forma pra que consiga, ao mesmo tempo, dizer aquilo que quero dizer e não ferir ou infrigir dano moral a qualquer um que esteja relacionado com os interesses que haverei de expor no que escrevo. Além de não querer magoar gente alguma, eu mais fortemente ainda quero distância das desnecessárias confusões que isso pode gerar. Já estive arrolado com isso antes, não apreciei.

Existe uma certa moça, jovem em demasia - contudo, de idade similar à minha, acontece que sou velho por dentro - com quem tenho convivido por mais tempo que o normal ultimamente. Essa jovem sempre teve crenças e valores que eu desprezo, discordo com veemência de suas convicções e as abomino fortemente. Todavia, por conta da minha humanidade e de outros fatores extremamente vinculados às variáveis pertinentes à evolução masculina, tenho - eventualmente - observado essa jovem com um outro olhar.

Não é nada que se assemelhe à paixão, não me encontro sujeito à essa doença já algum tempo, contudo, tenho sentido um lascivo e perigoso desejo de penetrá-la, beijá-la e tê-la em minhas mãos, possuindo-a de forma a saciar o meu corpo e meu ego. Não necessário salientar a imprudência existente nesse desejo considerando o fato de que a mesma possui um par ao qual - em tese - ama.

Ainda assim, não é algo de todo preocupante. Me tranquiliza o fato de que este sentimento é de natureza extremamente impessoal e cocernente apenas aos instintos dos quais não sou dominador. Mas não deixa de ser um incômodo quando ocasionalmente a observo e me imagino tocando-a e tendo-a em minhas mãos.

Acabei não sendo muito feliz na tentativa de ser indireto, acabei agindo da mesma forma, informando diretamente o que quero, a vontade que me tem surgido. Contudo, esse desejo não é algo que me assombra, tenho ciência da pequenez disso. Não há afeto envolvido nos meus desejos, pelo menos assim eu presumo. Tudo isso é fruto da minha pura e simples falta de sexo.

Isso será sublimado com o tempo. Como comentava há pouco com um amigo, isso não é nada sério, é só a punheta da semana. Depois virá outra qualquer que eu queira imaginar, e após essa virá uma outra e eu continuarei aqui até que isso se resolva. Seria interessante viver em um lugar onde se pudesse chegar pra alguém e - sem receios - comentar o quanto o seu corpo e jeito são atraentes e perturbadores. Mas esse não é o mundo onde vivo, informá-la disso me transformaria num homem "nojento", "cafajeste", etc. sem citar as ademais confusões que isso costuma trazer.

Eu só preciso é de um corpo que queira se entregar à mim, isso seria o remédio dessa tolice toda, me tornando capaz de retornar à "normalidade" - se é que ela de fato existe.
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