Carta para Fernanda

Oi  Fernanda, eu tenho 19 anos e sou "técnico em informática". Não gosto muito bem deste termo porque acho que não me encaixo bem naquilo que vejo ser um "técnico em informática". Gosto de estudar computação, principalmente programação, redes e ambientes baseados em Unix. Não gosto do modelo de desenvolvimento de software proprietário e estou cagando pras tecnologias Microsoft - ainda que eu trabalhe com isso e entenda razoalvemente de servidores e desktops Windows.

Trabalhar com isso foi a opção mais viável para conseguir dinheiro, mas minha real vontade é acordar tarde todos os dias, não ter patrão e não ter que aturar a ignorância e burrice das pessoas que atendo. Mas eu acostumei a ter dinheiro, pois ainda que seja pouco ele me compra livros, revistas e paga minhas poucas distrações.

Além de computação eu gosto de livros, embora deles eu pouco entenda. Apenas leio o que acho bom e falo mal do que acho ruim. Meu escritor preferido é José Saramago, mas dele li apenas O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Não li nada que se comparasse a tal leitura, é um livro que me impressiona sempre.

Quase nunca leio poemas e não tenho o menor talento pra escrever qualquer coisa que tenha rima e versos. Romances é o que gosto de lêr, mas como sou um péssimo leitor conheço pouquíssimo sobre a boa literatura, principalmente a brasileira. Recentemente, após ter lido um excerto numa questão do ENEM, me surgiu a vontade de ler algo escrito por Jorge Amado.

Sou um tanto ranzinza, não gosto de  MPB e aprecio pouco os fans desta coisa. Da cultura paraense aprecio apenas um pouco da culinária, a música daqui não me agrada muito os ouvidos. Se eu soubesse dançar um pouco de Brega talvez achasse a música melhor, talvez.

Fiquei bastante satisfeito com o seu comentário, me agradou. Acho bastante improvável alguém agradar-se com isto aqui, sem contar o fato de que conheço pessoalmente os - cerca de - cinco leitores deste blog, ou seja, só meus amigos costumam lêr o que escrevo. Não entendo muito bem o motivo de você ter apagado o comentário, deve ter tido suas razões. De qualquer forma, eu recebo uma cópia de todos eles por email, sendo assim tenho o seu arquivado também.

No twitter eu sou @roneygomes, mas não encare com seriedade o que escrevo por lá. Aparentemente o Twitter é o espaço onde uma faceta mais psicodélica minha costuma habitar, não reflete todos os meus pensamentos, apenas os mais esquisitos. Meu email é roney477@gmail.com, leio-o diariamente e acredito ser uma das melhores ferramentas de comunicação da Internet, se você estiver interessada podemos trocar algumas mensagens.

Eu estudei cinco anos no CEFET, cursando o curso de Eletrônica, mas minha irresponsabilidade e raiva me impediram de continuar. Ainda tenho matrícula por lá, mas acabei conseguindo meu Ens. Médio pelo exame de suplência oferecido pelo governo (o antigo DESU). 

Esse monte de porcaria que acabo de escrever foi uma tentativa de me descrever, não gostei de como ficou mas talvez ajude-a a conhecer um pouco mais de mim, conforme você pediu.

A verdade é que  hoje eu tentei escrever e não consegui, estou há mais de uma hora tentando e não consigo dizer nada. Acabei achando melhor atender o teu pedido.

Até logo Fernanda.

Bom Ânimo

"Disse-vos estas coisas para que em mim tenhais paz. No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo."

A minha falta de amadurecimento, bem como minha pouca experiência de vida, costumam ser fortes inimigos nos piores momentos. Isto é potencializado de acordo com os meus níveis de impaciência, que costumam ser elevados.

Recentemente passei a andar por um período complicado, onde eu sou um grande inimigo de mim mesmo. A soma dos meus problemas familiares com a minha falta de humildade e o meu pessimismo, me fazem passar por um momento de infelicidade - que não chega a ser tristeza, mas é tão ruim quanto. Isso tudo me faz observar a vida de uma forma cinza, amarga e rancorosa. Coisa de gente ridícula, e eu abomino ser ridículo.

Tenho ciência de que isto não é saudável, prejudica e destrói. Contudo, também sei que tolo seria se - repentinamente - tentasse me tornar o Palhaço Alegria, saudasse a todos e vociferasse aos quatro cantos que a vida é bela, que não importam quais dificuldades surjam, e toda esta ladainha de gente feliz - ladainha cuspida pela TV e livros da Sextante. Enfim, essas paradas não combinam comigo.

Hoje após o expediente fui à casa do João que - ainda que já estivesse anoitecendo - estava ferrado a dormir. O Seu Chico acordou ele e a gente começou a bater um papo. Após certas horas de conversa e após a mãe do João já ter chegado, comecei a comentar que estava um tanto infeliz, que a vida estava complicada. Comentei de uma maneira que não parecesse um lamento, mas sim um comentário, uma atestação. Nisto, a mãe do João explicou que ela já passou por umas barras bem complicadas e que hoje - após alguns anos - é que está podendo observar as coisas mais confortavelmente.

Eu detesto frases freitas e comentários batidos, coisa fabricada e repetida, realmente detesto. Só que ela conseguiu utilizar um comentário batido de forma inteligente, me convencendo e me animando. Ela resumidamente acabou utilizando o argumento de que "sempre tem outro em situação pior". Só que nossa conversa percorreu caminhos que me levaram ao esclarecimento, que por sua vez trouxe algo que me é muito precioso pela raridade que tem: bom ânimo.

Conforme conversávamos e os exemplos surgiam, percebi que muita gente venceu barras fodidas e hoje é contente com o que faz e com a vida que desfruta, acabei por fim, vendo que eu - tão soberbo - sou um fraco medíocre que ainda que se sinta forte tomba diante d'alguns poucos percalços. Naturalmente que a conversa não limitou-se apenas a estes assuntos, falamos d'outras coisas também. Bobagens saudáveis.

Mas isto ficou em mim. Amanhã não estarei a distribuir sorrisos e abraços, nem a jurar amor e ler poesia. Mas terei tranquilidade, e com isso a tendência é que atitudes acertadas surjam e as coisas melhorem, ainda que um pouco apenas.

Rage Against GRUB

Até certo tempo atrás - coisa de semanas - minha cópia do Windows 7 era "pirata", "ilegal" e "criminosa". Pra que tudo rodasse direito eu utilizava um crack que - através de algum procedimento que desconheço - realizava o famoso "transforme seu windows em original".

O 7 Loader (crack em questão) tem algumas interessantes funcionalidades, além de ativar o Windows ele insere o logo do fabricante que você desejar na página Sistema, no Painel de Controle. Ele costuma funcionar, até travar todo o seu sistema sem nenhuma explicação, ou ser pego por alguma ferramenta de detecção que a Microsoft põe nas atualizações, e que você - tôlo ingênuo - instala confiante e feliz.

Pois aconteceu do Windows travar e levar meu PC junto. O sistema travava durante o boot corrompendo também as entradas de boot do GRUB, ou seja, nada de Ubuntu e nada de Windows 7, o que significa nada de computador, e sem computador eu sou um homem triste.

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