Cláudia, Carlos e os Corleone.

- Oi Claúdia, é o Carlos.

- Oi Carlos.

- Tenho algumas coisas pra te dizer, vai tomar algum tempo, melhor você sentar.

- Tô deitada no sofá.

- Melhor.

- O que foi?

- Há muito tempo que não nos falamos, sequer trocamos mensagens por qualquer destes tantos sites por aí na Internet. Aí, numa atitude que até agora me parece um tanto precipitada, não sei ao certo, resolvi te ligar. A saudade tava grande e eu resolvi quebrar essa espécie de medo que costuma me afligir nessas situações, daí descobri teu número e aqui estou.

- Que situações?

- Situações em que eu preciso falar com alguém com quem não falo muito, ou dar esclarecimentos a um desconhecido, essas coisas.

- Acho que entendi.

- Pois sim. Conforme você bem já sabe, até porque eu já te disse isso antes, eu sou apaixonado por você. Tu me conhece bem o suficiente, eu imagino, pra saber que eu detesto este tipo de expressões como "apaixonado", "eu te amo", essas merdas. Mas se eu dissesse apenas que gosto de você, presumo que não causaria a impressão que quero causar e possivelmente os meus sentimentos passariam despercebidos. De maneira que me doeria mais "gostar" de você sem que você o soubesse - pausa para hidratar a garganta com saliva.

- Tudo bem, eu te entendo.

- Com o passar do tempo e conforme as minhas paixões iam fracassando, conforme eu me frustrava cada vez que me perdia por conta de uma mulher, eu fui amadurecendo, se é que é este um termo apropriado pra isso, e fui tendo uma opinião mais sóbria sobre essas merdas, esses papos de mulheres e gostar delas. Denovo o "gostar". Bem, a verdade é que surgir diante de você, seja pessoalmente ou através de um telefone ou qualquer mensagem escrita, e dizer que "meu amor por ti é tão grande que me faria nadar oceanos se preciso fosse tão somente para ouvir tua voz", fazer isso seria de um exagero e falsidade absurdos. Tão sem propósito e descabido quanto aquelas burrices que eu fazia na adolescência: cartas de amor, poemas, ouvir aquelas músicas horríveis, tudo isso é uma baboseira sem fim. Peraí que tem alguém chamando na porta, só um instante.

- Tá.

Nisto, ela continua deitada e aguarda na linha. Dados alguns poucos minutos, uns cinco talvez, ele regressa e ela pergunta:

- Que foi?

- Chegou meu box de Godfather, do caralho.

- Pô, foda.

- Pois sim, com o tempo fui percebendo que relacionamentos "de sucesso", conforme dizem esses baitolas da TV, costumam ser na verdade relações de companheirismo com boas doses de afeto , sem essas merdas de amor daqueles do tipo de românticos tuberculosos. Pois então, ponderando isso eu observei que o ideal seria me tornar teu companheiro conforme convivíamos, assim teríamos um certa relação de cumplicidade, que poderia se transformar em algo mais, tudo suavemente, sem exageros. Mas isso não foi possível.

- Pois é, a gente não conviveu muito. E tu era meio gala seca também.

- É, tu já me disse isso uma vez. De qualquer forma, diante de todos os bagulhos que eu tô sentindo, resolvo expressar, na maior sobriedade possível, os meus pensamentos e sentimentos para com a senhora.

- Vai lá, pode dizer.

- Eu quero você. Ocasionalmente desejo conversar contigo, sentir completude diante d'algumas frustrações, receber carinho quando e conforme eu desejar, tudo isso vindo de você. Mas também não gostaria de conversar tão profunda e intensamente o tempo inteiro contigo, já que percebo que com o tempo tu poderia acabar me torrando a paciência e destruindo qualquer possibilidade de relacionamento, o inverso também poderia ser verdadeiro. Além destas questões que envolvem essas fuleragens psicológicas, eu também quero te comer. Desejo te ter nos meus braços, te passar a vara e cheirar esse teu cangote, chupar esse teu peito, que imagino eu deve ser firme e ao mesmo tempo macio, perfeito em suma, desejo puxar esse teu cabelo, te pegar de quatro, comer o teu cu e chupar a tua buceta. Enfim, eu quero te foder de jeito.

- Era isso?

- É. Sinto muito se eu te ofendi com essa história toda, depois de muito pensar acabei por entender que você deveria saber disso. Me desculpe.

- Tudo bem, só tenho uma pergunta pra te fazer.

- Qual?

- Quando?

- Oi?

- Quando é que cê pretende vir me comer?

- O mais breve possível.

- Então vamo agora. Vem aqui em casa.

- Certo, tô indo aí.

- Só mais uma coisa.

- Diz.

- Traz o Godfather.

- Beleza, tô indo já. Até daqui a pouco.

- Tá, vem rápido. Tchau.

- Tchau.

Licença Creative Commons

Este blog é licenciado com a Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
Você pode reproduzir o conteúdo aqui encontrado, mas não pode vendê-lo ou alterá-lo.