Morte

Um primo meu morreu, assassinado. Em verdade, ele não era meu primo, era sobrinho do ex-marido de uma tia minha, mas é como se o tivesse sido. Na infância passei alguns dias - durante as férias escolares - na casa dele. Emerson era o seu nome, o Ema.

Morreu jovem, aos quinze. Mais novo de dois filhos, era o melhor. Mais carinhoso e que dava menos trabalho. Direito, o oposto do irmão Álefe, que tornou-se um ébrio brigão. Menino simples, tranquilo, carregava consigo aquela ingenuidade do matuto do interior e aquele desejo de ir morar na cidade. Belém, que até hoje lhe perguntam se tudo está bem, mas o silêncio e resignação são sua resposta, mais que necessária.

Os boatos contam que Emerson chegou de motocicleta em um posto de gasolina mais dois desconhecidos, ele e os dois tentaram assaltar o lugar. Durante a fuga o segurança do local atirou no condutor da motocicleta, com isso meu primo caiu e quebrou uma perna ou braço. No chão, recebeu um tiro na cabeça.

Talvez isso tenha sido verdade, considerando que ele havia discutido com o pai pouco antes. Mas acredita-se que estava ali de “laranja”, como diz o colóquio popular. Pois a sua conduta não justifica o boato e dos seus supostos comparsas nada se sabe. Os boatos - eles outra vez - contam que um está morto e o outro preso, mas possivelmente morto também.

Não chamou pela mãe, como deve ser natural a um homem quando vê o fim, tanto mais a um moleque como ele o era. Chamou pela tia, irmã da minha mãe e ex-mulher do tio dele. A notícia chegou a ela, e depois chegou a todos. Ao fim do dia chegou a mim aqui nestas bandas.

Ele não morreu imediatamente, teve morte cerebral no hospital e ficou em estado vegetativo por alguns dias.

Não quis falar com a mãe dele pelo telefone, fraqueza. Não era amigo dela, nunca tivemos a intimidade necessária, e não quis falar do que não sabia. Acho que pra uma mãe que perde um filho, um abraço consolador - e vindo da pessoa certa - é o máximo que deve ser feito. Eu não podia lhe oferecer isso, e não sou a pessoa certa.

Mas parabéns, batamos palmas. Ele foi roubar e a justiça foi feita, bala no cu do ladrão. Não importa se ele era um menino e estava sem defesa no chão, bandido bom é bandido morto. Aos fracos que fique o chôro por quem se foi. É assim não é?

Eu desejo muito acreditar no absurdo das outras vidas, de que se vai a um outro lugar depois da morte. Talvez no vejamos por lá moleque, vamos tomar uma pinga e depois voltar pra casa, que é o nosso lugar.

Adeus Emerson.

Relato dos Recentes Acontecimentos

Os últimos vinte dias foram melhores que os últimos seis meses de 2010, decerto. Mesmo eu tendo ganhado mais dinheiro nesse período – o de seis meses -, comprado livros, discos, meu ingresso pro show do Iron, toda essa merda. Nesses últimos dias eu senti aquela tranquilidade e alegria que há muito tempo não sentia, tanto que havia me esquecido de como era passar mais do que algumas horas assim.

Fortaleza tem lá os seus problemas, como qualquer outro lugar habitado, mas diferentemente de outros tempos, estes mesmos problemas não tem sido fortes o suficiente pra me atingir significativamente, longe disso até, parecem que sequer existem. E isso é bom pra caralho.

Essa foi a primeira semana de aulas na UFC, a denominada semana zero. Houve uma palestra inicial de boas vindas onde um vídeo mostrou parte da estrutura do campus, também fomos congratulados por sermos fodas o suficiente pra passar em um vestibular de nível nacional e foi repetida toda aquela velha história que eu já escutei outras vezes pelo CEFET. Fui apenas nos dois primeiros dias, pois as aulas só começam mesmo na próxima segunda-feira. E por falar em aulas, a minha grade curricular do primeiro semestre é:

• Álgebra Linear;
• Cálculo Diferencial e Integral I;
• Matemática Discreta;
• Introdução à Programação.

Desnecessário dizer que eu tô empolgado pra caralho com isso tudo, mas já fui alertado que Matemática Discreta é barra, bem como Álgebra Linear, mas ando tranquilo e sei que empolgação é normal e que ela vai embora depois de pouco tempo. 

Outra coisa interessante quanto à faculdade é a existência de disciplinas optativas, a grade curricular é maleável e eu acabo escolhendo o que quero estudar. Funciona mais ou menos assim: existe uma quantidade qualquer de créditos necessários à minha formação, sendo que cada disciplina possui um pequeno valor de créditos agregada a si. Das disciplinas disponíveis ao meu curso cerca de apenas 70% delas são obrigatórias, as demais eu vou escolhendo conforme a afinidade que vou criando dentro do curso. Sem contar os créditos livres, que posso gastar com matérias de qualquer outro curso, desde que essas matérias não possuam algum pré requisito. E isso tudo é muito bom, considerando a abragência do meu curso (bancos de dados, redes, programação, inteligência artifical etc.).

Foda vai ser a minha jornada diária até a faculdade: dois ônibus, tanto na ida quanto na volta. Mas aqui existe um negócio chamado Integração Temporal, que é a possibilidade de pegar o segundo ônibus sem pagar a passagem, isso se eu passar a catraca num período de 30 a 50 minutos após ter passado a catraca do primeiro. E isso só vale se você tiver dinheiro no cartão de passagem ou no de estudante, mas existe a comodidade de recarregá-los via Internet. Sem contar os terminais – que são vários - onde não se paga passagem pra embarcar. Porra, o transporte público daqui é bem melhor que o de Belém.

Também voltei a treinar capoeira, sábado passado fui ao lançamento do DVD que celebrava 25 anos de luta do mestre Severo, que é o atual presidente do grupo Legião Brasileira de Capoeira, do qual faço parte. Ao fim rolou uma roda muito animadíssima e rica, havia um rapaz que soltava um golpe que eu só havia visto no Street Fighter, o Tatsumaki Senpuu Kyaku muito mais conhecido como “ataque das corujas” ou “taquiterúguem”. Na capoeira o nome deve ser bem mais simples que isso.

Aproveitando o momento, deixo aqui uma fotografia minha ao lado do mestre Zebrinha:


Existe uma infinidade de outras coisas que eu posso falar, mas são de relevância menor que a dos fatos acima, que por sua vez já não são lá muito relevantes. Mas é isto, a minha vida nunca foi um mar de aventuras mesmo.

Edição: Esqueci de incluir a disciplina Circuitos Digitais quando escrevi o texto.

Recorte Nº 1

José Vicente de Araújo:

Criar um texto que conte a história de alguém a quem chamarei de José Vicente De Araújo, já que ontem - ao deitar - este nome me veio à mente, colocando idéias na minha cabeça. Perturbou até dizer-me que devo escrever algo sobre esta pessoa. Isto sou eu dizendo a mim que devo falar sobre alguém que criarei, admirei isto e respeitarei o que eu disse a mim.

Posto que este dito José viverá em uma cidade agreste, no interior d'algum lugar seco, onde os muros das casas são baixos e o de uma delas é branco. Provavelmente esta casa tem algo de especial e eu devo escrever algo sobre isto também. 

Pois não custa muito e José Vicente de Araújo estará vivo em letras, resta me descer a boa paciência pra isto.

If We Live For a Hundred Years Amigos No More Tears

Não sei se morro de vergonha ou se morro de rir das presepadas que sou capaz de fazer, das infindas tolices lamuriosas e exaltadas que eu costumo criar. Digo isto baseado no texto que escrevi ontem, puta que vos pariu, leiam o que escrevi: "vou ali no banheiro chorar sozinho". Que coisa mais deprimente. Sendo que, na verdade, sequer chorei. Não consegui. Lágrimas servem pra demonstrar a si mesmo a intensidade daquilo que se sente, eu não preciso mais disso. Há muito sei o que sinto e chorar é coisa que não me atrai mais, parece que faz parte de uma outra pessoa que já fui eu um dia, mas que hoje vejo com desprezo e falta de agrado. Chorar por uma mulher não me cabe mais, definitivamente. Antes chorar pelos amigos que deixei, como eles o fizeram por mim quando parti.

O problema se fez quando ontem disse alguns palavrões à Tainah pelo Messenger, na verdade, mandei-a à puta que pariu. Mas, de acordo com o que me lembro, não houve pretensão de ofensa nisto - como eu poderia?. Creio que agi conforme faço com meus amigos quando os chamo de filhos da puta ou os mando tomar no cu, ou ainda outras coisas mais. São apenas interjeições, recursos de linguagem utilizados pra elevar a expressão daquilo que digo. O costumo fazer com freqüência, na verdade eu possuo este pequeno defeito: falo palavrões em excesso com determinadas pessoas. 

E passado isto eu não sei o que fazer, fiz um drama exageradíssimo e a disse adeus, conforme registrei no texto anterior. Se os tempos fossem outros eu lhe faria um pedido de desculpas, com a formalidade necessária, expressando meu pesar e meus sentimentos. Mas hoje, não sei bem porquê, não sinto a menor vontade de pedir desculpas a ninguém. Sendo bem honesto, o que mais me apreende hoje é a possibilidade de conhecer o mestre Zebrinha, criador do grupo Legião Brasileira de Capoeira, do qual faço parte. Estou há cerca de uma semana sem treinar e a possibilidade de jogar com o próprio mestre é algo que me gera ansiedade e expectativas.

Aos poucos eu vou percebendo porque meus amigos me achavam tão sentimental, e ao começar a entender isso eu sinto vergonha, uma grande vergonha de ser tão fútil comigo mesmo. Existem coisas mais importantes que uma boceta.

Engraçado, um personagem que criei pra jogar Lobisomem: O Apocalipse, Trilha-de-Sangue, fruto da minha própria mente, interpretado por mim mesmo nas seções de RPG aos sábados, provavelmente me acharia repugnante e fraco, e muito eu penaria se fosse aceito em sua matilha. Lembro de, em jogo, ter batido em irmãos de tribo e companheiros de matilha, tão somente diante da menor demonstração de fraqueza. Tempos bons aqueles de jogo, aprendi pra caralho ali.

Aí hoje, depois de ter vivido aventuras tão intensas e cheias de horror com Trilha-de-Sangue, após ter tido experiências que em vida real jamais terei, após ter superado situações muitíssimo mais complicadas que essas que vivo hoje, eu ainda me percebo agindo feito uma maricona. Puta que pariu, que falta de vergonha na cara.

Mas farei conforme o meu personagem faria, encontrarei minha fraqueza e a arrancarei com minhas próprias garras. Porque sou mais que um homem, sou um Garou, e o destino me reserva nada menos que glória. 

Vida longa aos filhos da grande Gaia.



Virtual XI

Estava pensando aqui: não vou dedicar um maldito texto descrevendo o meu fracasso sentimental e a estupidez que fui capaz de cometer por tanto tempo. Não, não vou. Bem como não vou dizer que fui capaz de ser loucamente apaixonado por uma mulher enquanto ela namorava e desejava X e Y. Não, não o direi.

Mas vos direi uma coisa: a disse adeus e vou ali no banheiro chorar sozinho. 

Informe de Utilidade Pública

Senhores, venho por meio deste vos informar que reduzirei consideravelmente meu tempo conectado à Internet. Decidi isto porque percebi que meu tempo online é extremamente inútil - raramente tenho feito algo produtivo. Tenho uma centena de coisas interessantes a fazer e não as faço por conta da perda de tempo "navegando" à toa.

Entretanto, as atualizações por aqui terão seguimento, eu só não ficarei a perder tanto tempo com Twitter, Facebook e Messenger. Caso queiram entrar em contato comigo enviem um email para roney477@gmail.com, lhes responderei assim que lêr.

Até breve.


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