If We Live For a Hundred Years Amigos No More Tears

Não sei se morro de vergonha ou se morro de rir das presepadas que sou capaz de fazer, das infindas tolices lamuriosas e exaltadas que eu costumo criar. Digo isto baseado no texto que escrevi ontem, puta que vos pariu, leiam o que escrevi: "vou ali no banheiro chorar sozinho". Que coisa mais deprimente. Sendo que, na verdade, sequer chorei. Não consegui. Lágrimas servem pra demonstrar a si mesmo a intensidade daquilo que se sente, eu não preciso mais disso. Há muito sei o que sinto e chorar é coisa que não me atrai mais, parece que faz parte de uma outra pessoa que já fui eu um dia, mas que hoje vejo com desprezo e falta de agrado. Chorar por uma mulher não me cabe mais, definitivamente. Antes chorar pelos amigos que deixei, como eles o fizeram por mim quando parti.

O problema se fez quando ontem disse alguns palavrões à Tainah pelo Messenger, na verdade, mandei-a à puta que pariu. Mas, de acordo com o que me lembro, não houve pretensão de ofensa nisto - como eu poderia?. Creio que agi conforme faço com meus amigos quando os chamo de filhos da puta ou os mando tomar no cu, ou ainda outras coisas mais. São apenas interjeições, recursos de linguagem utilizados pra elevar a expressão daquilo que digo. O costumo fazer com freqüência, na verdade eu possuo este pequeno defeito: falo palavrões em excesso com determinadas pessoas. 

E passado isto eu não sei o que fazer, fiz um drama exageradíssimo e a disse adeus, conforme registrei no texto anterior. Se os tempos fossem outros eu lhe faria um pedido de desculpas, com a formalidade necessária, expressando meu pesar e meus sentimentos. Mas hoje, não sei bem porquê, não sinto a menor vontade de pedir desculpas a ninguém. Sendo bem honesto, o que mais me apreende hoje é a possibilidade de conhecer o mestre Zebrinha, criador do grupo Legião Brasileira de Capoeira, do qual faço parte. Estou há cerca de uma semana sem treinar e a possibilidade de jogar com o próprio mestre é algo que me gera ansiedade e expectativas.

Aos poucos eu vou percebendo porque meus amigos me achavam tão sentimental, e ao começar a entender isso eu sinto vergonha, uma grande vergonha de ser tão fútil comigo mesmo. Existem coisas mais importantes que uma boceta.

Engraçado, um personagem que criei pra jogar Lobisomem: O Apocalipse, Trilha-de-Sangue, fruto da minha própria mente, interpretado por mim mesmo nas seções de RPG aos sábados, provavelmente me acharia repugnante e fraco, e muito eu penaria se fosse aceito em sua matilha. Lembro de, em jogo, ter batido em irmãos de tribo e companheiros de matilha, tão somente diante da menor demonstração de fraqueza. Tempos bons aqueles de jogo, aprendi pra caralho ali.

Aí hoje, depois de ter vivido aventuras tão intensas e cheias de horror com Trilha-de-Sangue, após ter tido experiências que em vida real jamais terei, após ter superado situações muitíssimo mais complicadas que essas que vivo hoje, eu ainda me percebo agindo feito uma maricona. Puta que pariu, que falta de vergonha na cara.

Mas farei conforme o meu personagem faria, encontrarei minha fraqueza e a arrancarei com minhas próprias garras. Porque sou mais que um homem, sou um Garou, e o destino me reserva nada menos que glória. 

Vida longa aos filhos da grande Gaia.



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