Saudade Que Faz Chorar

Saudade, saudade, saudade ê 
Saudade que faz chorar 
Oi Saudade, saudade, saudade ê 
Saudade que faz chorar 
Oi Saudade, saudade, saudade ê 
Saudade que faz chorar 

Saudade de Mestre Bimba 
Seu Pastinha e Valdemar 
Saudade de Canjiquinha 
E do Besouro Mangangá 

Mestre Bimba ele partiu 
Para nunca mais voltar 
Mas deixou os fundamentos 
Da capoeira Regional 

Ai! Saudade, saudade, saudade ê 
Saudade que faz chorar 
Oi Saudade, saudade, saudade ê 
Saudade que faz chorar 

Saudade dos grandes mestres 
Da capoeira de Angola 
Saudade de Ganga Zumbi 
E Zumbi dos Quilombos quilombola 

Minha mãinha foi embora 
Foi pro céu com Deus morar 
A saudade me devora 
Saudade me faz chorar 
Um dia no infinito, oi mãinha 
Nós vamos nos encontrar 

Ai! Saudade, saudade, saudade ê 
Saudade que faz chorar 
Ai! Saudade, saudade, saudade ê 
Saudade que faz chorar 

A saudade sempre doe 
Seja a saudade qual for 
Saudade da capoeira 
De alguém que tu amou 
Saudade de quem tu ama 
E da preta que te deixou 

Ai! Saudade, saudade, saudade ê 
Saudade que faz chorar 
Mas! Saudade, saudade, saudade ê 
Saudade que faz chorar 
Ai! Saudade, saudade, saudade ê 
Saudade que faz chorar 

Desconheço a autoria da música, se a soubesse compartilharia com os senhores, com certeza.

Desde que comecei a jogar Capoeira que esta música me chama a atenção, e agora - mais do que nunca - ela tem um valor diferente.

Recomendo que a escutem, o download pode ser feito aqui

Taí

A imagem de que falei:


Recorte Nº 3

Recortes, vários e sobre assuntos diversos:

Eu não quero falar sobre a morte do Emerson, não mais. É terrível pensar que ele findou como um triste fracasso, fruto de uma série de fatores que fodem o mundo todos os dias. Porra.

***

Os nomes vão mudando... Érika, Jasmine, Amanda, Isabelle, Midiã, Luana, Valdilene, Madlene, Bárbara, Tainah... isto tudo com o passar dos anos. Tem sido assim desde onde lembro - primeira série do ensino fundamental, talvez. Nem lembro mais como se escreve corretamente o nome de algumas delas, de outras eu mal lembro da voz; apenas vagas lembranças, como se fossem fotografias que se movessem, imagens estáticas em movimento – contraditório é verdade, mas eu não quero gastar muitas palavras tentando descrever algo tão abstrato como uma lembrança. No fim é isso que são, algumas páginas do meu álbum de fotografias particular.

Perdi a conta dessas minhas paixões de criança. Quando eu era moleque achava isso bom, gostoso. Parece que achei tão bom que fui carregando pro resto da vida. Só que aí a adolescência me mostrou que é uma merda ser criança.

Coisa de fresco falar “gostoso”. Viadão.

***

Me sinto bem ao lembrar que beijei a Tainah, ainda que tenha sido um beijo sem valor, de despedida. Pensando bem, não me sinto tão bem assim não. Na verdade, eu começo é a rir um pouco da contradição: lembro, acho bom, sinto saudade, me sinto bem, lembro que não teve valor, foi de despedida, foi pena, foi saudade ainda presente, me sinto mal. Não tem como deixar de rir dessa boiolagem toda.

***

Meu tio-avô me trouxe pra casa dele aqui em Maracanaú, bem no pé da serra. Coisa bonita é uma serra, uma montanha verde bem alta, fresquinha, as nuvens encobrem um pouco os cumes mais altos. Fico besta admirando, achando tão soberbo um monte tão verde e tão alto.

Aqui é um fim de mundo do caralho, longe de tudo, por sorte trouxe meu laptop. Todo mundo aqui é crente, em verdade, a igreja fica na casa do meu tio – que é pastor. Acabei assistindo os cultos, meio a contragosto, mas o fiz. Faz tempo que deixei a igreja, não sinto falta.

A casa é um pouco fodida. Paredes sem rebôco, chão de cimento, um pouco esburacado, cheio de terra – dá um trabalho do caralho varrer. Aí, como eu não tenho muito o que fazer, puxo o laptop e fico jogando Battle For Wesnoth. Mas fica aquela sensação escrota, de que parece que eu sou playboy, como se – não custa muito – eu não tivesse morado numa casa onde as janelas eram pedaços de lona e o piso era de barro. Eu sei o que é ser bem fodido, e lembrar disso não me faz muito bem. Me faz pensar na minha mãe, no quanto ela é incrível, e lembrar da mãe estando longe dela é complicado.

Gosto do meu tio, apesar de tudo. Ainda a pouco ele me deu um abraço, daqueles que tiram os pés da gente do chão. Rodamos um pouco de carro pela manhã, Maranguape e Maracanaú. O Maranguape me pareceu estranho, desolado. Acabou me fazendo lembrar daquele texto sobre uma cidade agreste que eu vou escrever, acabou me dando idéias, imagens. Não custa muito e o escrevo.

Provavelmente vou tomar um banho de açude de manhã, de tarde eu volto pra Fortaleza.

***

Eu não quero discutir a natureza masculina com mulheres imbecis, quero que as mulheres imbecis se fodam. Mulher boa faz carinho num homem cansado, massageia os ombros. Serve a mesa.

Mulheres imbecis são terríveis, querem ser inteligentes demais, são todas burras. Podem enfiar esse neofeminismo no cu e se tornarem um bando de lésbicas. Porra, uma mulher que se recusa a servir o marido porque acha isso machista merece uma surra, de cinto.

Mas sou um homem calmo, e nem sempre sou justo. Muito dificilmente bateria em uma mulher, mesmo ela merecendo. Tem horas que qualquer pessoa merece levar uma porrada, homem ou mulher.

***

Teve um estilista aí que foi demitido porque falou que gosta de Hitler e que odeia judeus. Aí uma judia branquela foi falar um monte de merdas sobre amar ser judia e outro tipo de estrume mental televisivo. Tsc.

Vivemos o dito século da liberdade, mas é proibido odiar. Bando de hipócritas.

***

Meus pequenos rompantes de raiva me fazem lembrar que ainda sou jovem, isso é bom. Também me fazem lembrar de uma imagem que vi na Internet certa vez. Era uma espécie de protesto, nele havia um homem todo preto, emcapuzado também. Levava uma bandeira onde se lia: “We're fuckin angry!”

***

Ocasionalmente me surge a vontade de ser escritor, um bem bom, tipo o Saramago. E quando bater a melancolia e a frescura, escrever textos tipo os do Caio Fernando Abreu. Não, nada de Chico Buarque.

Recorte Nº 2

Conjecturas na preguiça:

Hoje acordei com uma gigantesca e enorme vontade de voltar pra rede - sim, por aqui eu durmo numa rede. É que o ventilador de teto fica praticamente voltado pra mim, aí o vento bom mais o frio da noite mais o meu cansaço, costumam me proporcionar noites agradáveis. Hoje foi mais brutal.

Mas eu vim pra universidade; cheguei atrasado na primeira aula e saí antes que ela acabasse. O professor não dá uma boa aula, e eu estava morrendo de sono. Ainda estou. A segunda aula já começou e eu não estou nem um pouco a fim de ir pra lá.

O problema é que bate aquele peso na consciência: "Porra, tu já fez isso antes. Tu sabe como é que as coisas são. Tu se fodeu valendo da última vez, não vacila agora."

Só que quando bate esse pensamento, surge um outro em oposição: "Relaxa, tu é foda. Pega um livro, se mata estudando em casa e destrói na prova. Tu sabes que és um cara inteligente, fica sussa. É só não faltar muito e tá tudo garantido."

Aparentemente, costumo atentar mais ao segundo pensamento. Tanto que a aula tá torando por lá e eu estou aqui, lendo blogs e escrevendo um bocado. 

Às doze vai passar o Rede Social, no auditório de computação. Não sei se fico pra assistir ou se vou logo pra casa, afinal eu já não quero assistir aula mesmo.
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