Recorte Nº 3

Recortes, vários e sobre assuntos diversos:

Eu não quero falar sobre a morte do Emerson, não mais. É terrível pensar que ele findou como um triste fracasso, fruto de uma série de fatores que fodem o mundo todos os dias. Porra.

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Os nomes vão mudando... Érika, Jasmine, Amanda, Isabelle, Midiã, Luana, Valdilene, Madlene, Bárbara, Tainah... isto tudo com o passar dos anos. Tem sido assim desde onde lembro - primeira série do ensino fundamental, talvez. Nem lembro mais como se escreve corretamente o nome de algumas delas, de outras eu mal lembro da voz; apenas vagas lembranças, como se fossem fotografias que se movessem, imagens estáticas em movimento – contraditório é verdade, mas eu não quero gastar muitas palavras tentando descrever algo tão abstrato como uma lembrança. No fim é isso que são, algumas páginas do meu álbum de fotografias particular.

Perdi a conta dessas minhas paixões de criança. Quando eu era moleque achava isso bom, gostoso. Parece que achei tão bom que fui carregando pro resto da vida. Só que aí a adolescência me mostrou que é uma merda ser criança.

Coisa de fresco falar “gostoso”. Viadão.

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Me sinto bem ao lembrar que beijei a Tainah, ainda que tenha sido um beijo sem valor, de despedida. Pensando bem, não me sinto tão bem assim não. Na verdade, eu começo é a rir um pouco da contradição: lembro, acho bom, sinto saudade, me sinto bem, lembro que não teve valor, foi de despedida, foi pena, foi saudade ainda presente, me sinto mal. Não tem como deixar de rir dessa boiolagem toda.

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Meu tio-avô me trouxe pra casa dele aqui em Maracanaú, bem no pé da serra. Coisa bonita é uma serra, uma montanha verde bem alta, fresquinha, as nuvens encobrem um pouco os cumes mais altos. Fico besta admirando, achando tão soberbo um monte tão verde e tão alto.

Aqui é um fim de mundo do caralho, longe de tudo, por sorte trouxe meu laptop. Todo mundo aqui é crente, em verdade, a igreja fica na casa do meu tio – que é pastor. Acabei assistindo os cultos, meio a contragosto, mas o fiz. Faz tempo que deixei a igreja, não sinto falta.

A casa é um pouco fodida. Paredes sem rebôco, chão de cimento, um pouco esburacado, cheio de terra – dá um trabalho do caralho varrer. Aí, como eu não tenho muito o que fazer, puxo o laptop e fico jogando Battle For Wesnoth. Mas fica aquela sensação escrota, de que parece que eu sou playboy, como se – não custa muito – eu não tivesse morado numa casa onde as janelas eram pedaços de lona e o piso era de barro. Eu sei o que é ser bem fodido, e lembrar disso não me faz muito bem. Me faz pensar na minha mãe, no quanto ela é incrível, e lembrar da mãe estando longe dela é complicado.

Gosto do meu tio, apesar de tudo. Ainda a pouco ele me deu um abraço, daqueles que tiram os pés da gente do chão. Rodamos um pouco de carro pela manhã, Maranguape e Maracanaú. O Maranguape me pareceu estranho, desolado. Acabou me fazendo lembrar daquele texto sobre uma cidade agreste que eu vou escrever, acabou me dando idéias, imagens. Não custa muito e o escrevo.

Provavelmente vou tomar um banho de açude de manhã, de tarde eu volto pra Fortaleza.

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Eu não quero discutir a natureza masculina com mulheres imbecis, quero que as mulheres imbecis se fodam. Mulher boa faz carinho num homem cansado, massageia os ombros. Serve a mesa.

Mulheres imbecis são terríveis, querem ser inteligentes demais, são todas burras. Podem enfiar esse neofeminismo no cu e se tornarem um bando de lésbicas. Porra, uma mulher que se recusa a servir o marido porque acha isso machista merece uma surra, de cinto.

Mas sou um homem calmo, e nem sempre sou justo. Muito dificilmente bateria em uma mulher, mesmo ela merecendo. Tem horas que qualquer pessoa merece levar uma porrada, homem ou mulher.

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Teve um estilista aí que foi demitido porque falou que gosta de Hitler e que odeia judeus. Aí uma judia branquela foi falar um monte de merdas sobre amar ser judia e outro tipo de estrume mental televisivo. Tsc.

Vivemos o dito século da liberdade, mas é proibido odiar. Bando de hipócritas.

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Meus pequenos rompantes de raiva me fazem lembrar que ainda sou jovem, isso é bom. Também me fazem lembrar de uma imagem que vi na Internet certa vez. Era uma espécie de protesto, nele havia um homem todo preto, emcapuzado também. Levava uma bandeira onde se lia: “We're fuckin angry!”

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Ocasionalmente me surge a vontade de ser escritor, um bem bom, tipo o Saramago. E quando bater a melancolia e a frescura, escrever textos tipo os do Caio Fernando Abreu. Não, nada de Chico Buarque.

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