José Vicente de Araújo

Existem situações, que por sua vez, são lá um tanto abstratas e - apenas de certa forma - complexas, que tornam um tanto dificultosa ou - talvez seja mais apropriado assim dizer - difícil, a tarefa de descrevê-las. Tal como essa agora à qual me proponho, coisa simples e natural a todos, de duração bastante efêmera e nada impressionante, mas que é capaz de chamar a atenção de determinados desocupados como eu.

Mas antes - e como este espaço é apenas meu - abuso da boa vontade do leitor pra expressar as minhas mais sinceras considerações momentâneas: " ". Estas são elas, não há nada que se diga que já não se tenha dito. Não existem pois, considerações particulares - expressas elas em forma de texto - que já não tenham sido feitas outra fez. É tudo já feito, e sendo já feito nada disso foi suficiente, pois pouco mudou, pouquíssimo se comparado com o "que deveria ter sido". É porque os que escrevem o fazem pra poucos, pra raros abestalhados que acreditam haver algo bom em tal coisa como a leitura - singulares esses idiotas. Portanto, fica pois a minha observação. Não há mais nada o que se faça na escrita, e eu um dia considerei ser grande nisto que se refere ao escrever, tendo tido alguma espécie de "sucesso", acabei por pensar que este seria um possível caminho. Entretanto, ao perceber que este não é caminho algum, apenas um labirinto roto de aturdimentos juvenis, entro em desespero ao perceber que não existe mais nada que possivelmente me faça ser amado por todos.

Mas enfim, esqueçamos estes últimos parágrafos de considerações particulares e retornemos ao assunto principal, à questão que pus em cheque logo ao início.

Fácil não é descrever aquilo que se sente após longa fadiga, quando teu corpo fede o suor do esforço e o calor impiedoso de um sol alheio a tudo tortura a pele que há por debaixo desta roupa espessa, seja ela o jeans moderno ou o tão antigo couro, dos jibões do cangaço. Considerando pois a dificuldade de tal descrição, visualize, apenas veja José Vicente de Araújo neste algodão ensopado que é sua camisa e o jeans vagabundo que é sua calça, não esquecendo é claro das havaianas de borracha preta. 

Pois José Vicente de Araújo apenas senta, cheio de seu cansaço e suor, debaixo desta árvore estranha, que assemelha-se a uma oliveira mas não chega a feder tanto quanto uma. O calor exala de sua pele assim como os pensamentos que perpassam sua mente, quando - absorto - contempla o horizonte, que está tão distante de si, como se nunca - ele, o José - tivesse feito parte disso tudo, o nada.

No horizonte passam coisas em demasia, mulheres com bacias de roupa, homens com sua ignorância e valentia à cabeça e crianças com seus carrinhos feitos de lata  e plástico. Os olhos de José ardem e ele ainda continua absorto, percebendo-se alheio a isto tudo e desejando apenas não mais ser isto: este homem já medícore, de destino medíocre, neste ninho de vespas imbecis. José Vicente de Araújo só quer foder antes dos 21, encher a cara de cachaça e de cigarro após isso - a foda - e morrer, quem sabe contente.

Teresa é uma foda válida, mas há tantas outras, só basta o corpo cheiroso, porque de fedor já lhe basta o seu e o dessa quase oliveira agreste. O Diabo sai de trás da porta e vai atrás d'uma preta da boceta macia e do peito grande pra dar ao José, ficou com pena desta vítima de Jeová.
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