Conflito Insolúvel

Estava pensando na maneira como meu professor de Cálculo costuma tocar suas aulas. Depois de um pequeno evento recente, desisti completamente de tentar sanar qualquer tipo de dúvida com esse cidadão. Ele, basicamente, não é muito disposto a incentivar a empolgação e a curiosidade de seus alunos - bem como esclarecer determinadas dúvidas -, corta qualquer tipo de manifestação com um "vá estudar". E a sua já tradicional arrogância é um negócio um tanto desagradável.

A princípio pode parecer que estou choramingando porque o professor malvado não me deu bola e sou um menino carente e revoltado - ainda que eu ache que não, no final das contas pode ser bem isso mesmo. Acontece que fiquei um tanto puto com a cara desse desgraçado e tanto mais puto ainda comigo, que tendo um rendimento acadêmico pífio - dando jus, sem muitos exageros, ao famigerado título de burro, jumento, equino, incapaz - acabo não tendo o respeito necessário pra ser ouvido ou questionar o que dizem. É um tanto meritocrático esse meio acadêmico, se você não tem mérito - que é concedido de acordo com esse sistema juvenil de avaliação - você não passa de um Zé Roela. E pelo visto, é isso o que tenho sido, um José.

Enquanto eu estava puto, caminhando pela universidade, comecei a pensar em como a maioria dos animais - não sendo nós muito diferentes - costuma resolver seus conflitos: na base da porrada. Pensei "porra, eu tô puto com a cara desse filho da puta, eu deveria sentar a porrada nesse velho desgraçado e mostrar quem manda nesse caralho". Mas, feliz ou infelizmente, não estamos em uma selva e esse tradicional e natural método de se resolver desavenças não é muito bem visto por essa entidade invisível a quem alguns costumam chamar de "sociedade". Mais algum tempo depois eu pensei "pensando bem, seria uma covardia do caralho tentar resolver qualquer coisa na base da briga com esse velho, eu poderia matar ele de tanta porrada. Eu sou um cara novo e ele é um velho que não aguenta um cascudo". Sendo assim, o caminho ideal a tomar seria adquirir o respeito que desejo jogando o jogo meritocrático da academia, me afundar em alguns livros, trepar com os números e mostrar que sou foda e digno de consideração.

Aí é que está outra covardia, porque por mais que eu estude pra caralho, tire ótimas notas e prove a todos esses filhos da puta que não sou um bosta, nunca chegarei nem perto de ter uma luta justa com o professor. Ele sempre vai estar à minha frente, ele já estudou muito, passou por todas as dificuldades relacionadas ao estudo e à vida acadêmica e superou todas elas. Um tema que pra mim hoje é complexo e novo, pra ele  não passa de uma velha brincadeira pra crianças. Nisso, do alto de todo meu raciocínio eu indago "tô na piroca mermo, não posso resolver as coisas do jeito 'natural' e não posso disputar intelectualmente com ele. Que que eu posso fazer?".

Logo após isso eu finalizo concluindo: "provavelmente o mais sensato seria retirar-me à minha ignorância, xingar muito no Twitter e escrever um 'desabafo' no meu bloguinho".
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