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date:    Fri, Sep 30, 2100 at 9:27 PM
subject: Re: No que você tem pensado Fred?

Você tem que ter brevidade em tudo aquilo que faz, ser veloz, rápido, furioso, intenso e completamente desproporcional e sem sentido, isso, isso mesmo. Um "rush", apenas um "rush". Oh, you were born to do it "broda", for sure you were.

Como que é isso, como será que é atingir? Como será que é chegar lá, àquele interessante estado de perpétuo? Será que é perpétuo mesmo? Por que, veja bem, se você for parar pra pensar um tanto mais a respeito - mais do que você já costumeiramente faz - verá que a vida não faz sentido nenhum, digo, essa merda toda é completamente sem propósito. 

Porra, tu nunca se sentiu como um maldito robô com uma espécie de supercomputador no crânio? Apenas realizando algoritmos, controlando o teu corpo e mantendo-o, porque afinal, existe um preceito na memória deste teu computador que diz que manter o corpo é essencial, é uma tarefa prioritária, tanto que - se você observar bem - todos os outros algoritmos acabam convergindo pra isso. Manter o corpo é essencial, por algum desconhecido motivo.

E após todo esse conjunto básico de operações relacionadas à manutenção da tua vida, vem o que - ao meu ver - fode tudo, aquilo que, sabe, que foge do básico, que extrapola essa porra, aquilo que no final das contas me faz ficar pensando nesse tipo de coisa ocasionalmente - caralho, advérbios, muitos e sempre.

São as dúvidas cara, parece que existe um outro gênero de processos - ou algoritmos, como queira - que se destinam a melhorar o atual conjunto de processos, quer dizer, é como se os processos pertencentes à este conjunto - chamemo-lo de conjunto de algoritmos evolutivos - convergessem todos aos próprios algoritmos. Me entenda, é como se o teu computador estivesse pensando sobre si mesmo - o que é bem absurdo, se você observar bem - e tentando arrumar novas maneiras de fazer coisas mais que apenas manter o próprio corpo.

O computador "deseja" utilizá-lo pra outras coisas e no final acaba se perdendo e ficando preso em si mesmo, porque após observar estes novos usos não vê sentido neles. E tudo isto porquê? Porque não há nada em nossa memória original que nos diga que isto é essencial, a gente só dá sentido àquilo que veio com a gente, o resto é tudo engano. É aí que tu tá fodido, quando tu percebe que nada faz sentido, só sobreviver, sobreviver é tudo, vivemos pra viver. Meio foda isso, foda demais até.
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