Vergonha e Amigos

Tento hoje voltar a ser um pouco daquilo que eu era antes, mas que quando o era antes nunca, até o momento, desejei o ser.

Eu sinto muita vergonha de tudo o que faço. De você menina, e aquele triste beijo de misericórdia. Muito também de você, outra maria, e minha louca paixão adolescente hoje vista como grande tolice, embora o mundo o fosse, quando era. Vergonha de muita coisa, cansado de tudo isso, inclusive de você, grande amigo agora tão diferente e há muito já ido.

Já te foste faz é tempo e nem fizeste questão de avisar. Eu fui meio que gritando abestalhadamente sozinho, como sempre. Ocorria que antes ainda estava ali, junto com os outros, vocês. Nesses anos todos eu ainda tento fazer sentido em alguma coisa antes de morrer.

Eu vou falhar.

Mas eu quero falhar sem remorso, sem vergonha. Ainda sinto muita vergonha. E hoje percebo que boa parte da minha vergonha decorre do fato de muito amar a todos vocês, incluindo a opinião tosca que cultivam. A gente tá longe faz tempo mesmo, eu preciso me desapegar.

Saco cheio de ter vergonha, fico triste até quando estou feliz.

Amo todos vocês, mas preciso me despedir. Porque ainda me amo mais. Tanto que ainda me envergonho, como o faço agora e como farei por ainda certo tempo. Mas faço meu esforço, não tenho alternativa.

Disse que ia parar de fumar, me faz mal. Mas vou fumar essa carteira toda agora, só porque fumar me envergonha. Quem sabe assim eu e a vergonha fumemos juntos, sejamos amigos e nos aceitemos.

Não quero mais escrever sobre vocês. Por favor, vão embora.

Tchau.
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